Enquanto a maioria das nações do planeta estava envolvida nos violentos conflitos da 2ª Guerra Mundial, o ano de 1942 marcava o surgimento de um amor que começou em Bela Vista, município sul-mato-grossense distante 230 quilômetros de Aquidauana, onde a história continuou até hoje. Com 16 anos à época, a adolescente Emigdia Armoa, conhecida como Tota, morava na cidade que faz fronteira com o Paraguai, acompanhada dos pais e irmãos. O jovem Antonio Rodrigues Garcia, 20 anos, estava em Bela Vista para servir o Exército. Paixão à primeira vista, tal qual o nome do município.
Com as dificuldades que acompanhavam todo início de namoro de antigamente, sendo vigiado pelos pais e irmãos da moça, o militar presenteou a companheira com um livro de memórias, dado no Dia dos Namorados. O diário ficava alguns dias com ele, outros com ela, tornando-se a maior testemunha de um romance que virou casamento apenas um ano depois, em 1943.
O casal veio morar em Aquidauana, cidade que passou a ser palco de uma das mais belas histórias de amor do Pantanal, sem dúvida. Seo Garcia e Dona Tota eram bastante conhecidos por participarem de trabalhos filantrópicos. Em 2013, quando estavam prestes a completar 70 anos de casamento, o sentimento permanecia exatamente o mesmo daquele datado do início da década de 1940, com destacaram em entrevista ao site O Pantaneiro. "Ele sempre foi e continua sendo muito romântico", dizia Dona Tota, ao lembrar que Seo Garcia continuava a presenteá-la com flores.
O tempo, a mais implacável das entidades, permitiu que eles chegassem até as Bodas de Vinho.
Dona Tota nos deixou neste domingo (08). Não há nenhuma dúvida, porém, de que este é um amor para durar até as Bodas de Jequitibá e além.