"Mais difícil missão do 9º BE Cmb depois da 2ª Guerra Mundial". É desta maneira que o tenente-coronel José Diderot Fonseca Júnior, comandante do 9º BE Cmb (Batalhão de Engenharia de Combate - Batalhão Carlos Camisão), define o tamanho da "Operação Ouro Verde". Por intermédio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) junto ao CMO (Comando Militar do Oeste), a unidade do Exército de Aquidauana recebeu a solicitação para a construção de uma ponte na BR-163, no Pará, conhecida pelas péssimas condições de estrada, alternando trechos de asfalto com outros de terra.
Com intenso tráfego de carretas, as rodovias federais BR-230 (Transamazônica) e BR-163 (Santarém-Cuiabá) são de extrema importância para o escoamento das safras de soja e milho. Em períodos constantes de chuvas, além da formação de atoleiros, as três grandes pontes de madeira que passam pela região, em um raio de distância de 300 quilômetros, podem ceder a qualquer momento e constituem outra grande dificuldade para os motoristas. Com o objetivo de antecipar a queda da estrutura e proporcionar o escoamento da produção na região de Santarém, o 9º BE Cmb aceitou a missão de manter uma tropa no Destacamento Miritituba (PA), ficando em condições de lançar a ponte LSB (Logistic Support Bridge).
Segundo o tenente-coronel Diderot, "Ouro Verde" é uma denominação dada pelo próprio Batalhão Carlos Camisão. A missão foi recebida no dia 12 de fevereiro e oficializada uma semana depois, com a autorização do Comando Militar do Oeste, sediado em Campo Grande. A escolha por Aquidauana se deve à experiência do 9º BE Cmb em ações do tipo, tanto na região pantaneira, em situações de enchente ou em outras calamidades, como na Missão de Paz, no Haiti, por exemplo.
"Desde o dia em que recebemos a missão, já tivemos como prioridade fazer o reconhecimento do terreno e avaliamos as possibilidades. Grande parte da Transmazônica é de terra, é uma missão extremamente complicada, com dificuldades de logística e a necessidade de traçar um planejamento de possíveis situações que poderemos enfrentar. E também há acontecimentos que podem fugir da nossa previsão, mas o Batalhão está preparado para a Operação Ouro Verde", afirma o comandante do 9º BE Cmb.
O processo de seleção foi interno e priorizou a escolha de militares que, além de experiência em montagem de pontes e condução de viaturas, estejam em melhores condições para uma operação de tamanha complexidade. O efetivo é composto por 51 integrantes - sendo quatro oficiais, 10 subtenentes e sargentos e 37 cabos e soldados. O comando da tropa está sob a responsabilidade do capitão Ávila. Os militares viajarão divididos em 21 viaturas, separadas uma da outra por 150 metros, em uma velocidade média de 50 quilômetros por hora.
A tropa conta com um caminhão-tanque, um trator para as regiões de difícil acesso, comunicação via rádio em cada viatura e mantimentos para 20 dias, que serão repostos por conta do Governo Federal.
Duração
O comandante do 9º BE Cmb explica que, inicialmente, a previsão é para que a Operação Ouro Verde dure quatro meses. Entretanto, devido aos imprevistos citados por ele, existe a possibilidade de que esta não seja uma duração exata. A ideia é que o primeiro efetivo fique por 45 dias, quando está programada uma troca de turno, com uma segunda turma já preparada para dar continuidade à missão.
"Eu conversei com o contingente e disse que minha primeira preocupação é para que todos eles cheguem bem lá [Miritituba]. Aí vem a logística e, enfim, o retorno. A missão só terá sido cumprida com sucesso se todos eles voltarem bem e em segurança para Aquidauana".
O tenente-coronel Diderot ainda garantiu o apoio não apenas aos militares designados para a missão, mas, também, aos seus familiares. O comandante lembra que uma das dificuldades da missão é o longo período distante de casa, onde a tristeza, o surgimento de problemas de saúde e a falta da referência no lar podem se tornar um obstáculo.
Dispondo de equipamento telefônico especial para regiões de difícil cobertura, o capitão Ávila ficará encarregado de manter contato e transmitir as informações da missão para o comandante do 9º BE Cmb.
No total, serão 2.328 quilômetros até Miritituba, com previsão de seis dias de viagem até o município paraense. O comboio sai de Aquidauana na manhã desta sexta-feira (13), escoltado por viaturas da Polícia do Exército, com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Após a chegada, os militares da Operação Ouro Verde ficarão no Destacamento Miritituba, onde aguardarão para a construção da ponte LSB, quando necessário.