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Aquidauana

Picoleizeiro é solto e diz ter sido alvo de armação

Preso pela Polícia Civil em março após denúncia de exploração sexual e tráfico de drogas, ganhou a liberdade por falta de provas

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Em liberdade desde o dia 4 de maio, o picolezeiro Márcio Akira Kajiwara, 43 anos, tenta recomeçar após ter sido preso pela Polícia Civil no fim de março, em Aquidauana. A denúncia seria de que estava envolvido com favorecimento à prostituição de adolescentes na forma tentada e por supostamente enviar a eles imagens com conteúdo pornográfico. Ele chegou a ser indiciado, mas acabou solto pelo Ministério Público Estadual em razão da ausência de provas.


Ao falar com a reportagem para expor sua versão sobre os fatos, Márcio afirmou ter sido alvo de armação.  Ele conta que jamais trocou mensagens por redes sociais em tom de aliciamento com os dois adolescentes envolvidos, um de 16 e outro de 17 anos, e que tudo pode ter sido um ataque deliberado promovido por pessoas que não gostavam dele ou por pessoas que encontraram seu Facebook aberto em uma lan house, já que não tem celular.


"O horário das mensagens [encontradas pela polícia] não batem com o horário que eu usava a lan, e eu não tinha telefone digital para entrar no Facebook. Conversei com um deles [por um perfil em nome outra pessoa], mas não naquele [perfil] que mostraram para mim com conteúdo pornográfico", disse Márcio. Além disso, afirmou ser falsa a denúncia de que aliciava os menores a troco de drogas. "Não encontraram drogas na minha casa. Sou usuário apenas de maconha", completou.


Márcio lembrou ainda que usava outro perfil no Facebook, compartilhado com suposto amigo, já que ambos organizavam uma banda. Ele não descarta que o acesso livre de outras pessoas ao perfil permitiu que alguém tenha tentado lhe comprometer, conhecendo seu passado. "Na verdade, acredito que alguém encontrou no Google informações sobre o crime que cometi contra minha mãe, ficou com ódio e decidiu me sacanear", detalhou.


Denúncia


Segundo inquérito conduzido pelo delegado Eder Oliveira Moraes, titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil, a perícia havia encontrado provas de que Márcio propôs encontro com os garotos e até chegou a falar com um deles, mas não há indícios de relação. Diante de tais dados, que julga inverídicos, o picolezeiro volta a reforçar que foi alvo de armação, mas que não há como recorrer contra quem o atacou, ao menos não por enquanto. "Como vou saber quem usou meu Facebook?", questionou.


Para sustentar ainda mais sua defesa, retoma à decisão do Ministério Público que deferiu a liberdade por "total insuficiência de provas". Não houve apreensão de drogas com ele e não existia consistência nas afirmações de aliciação de menores para sexo. "Havia indícios de conversas sobre sexo, mas não sei quem as enviou, só sei que não fui eu e graças a Deus o Ministério Público enxergou isso", comentou, lembrando que foi obrigado a assinar depoimento, embora a polícia negue.


Por conta de ameças proferidas por outros detentos, Márcio foi enviado ao Presídio Federal de Campo Grande e acabou solto no último dia 4 de maio. Por conta da repercussão do caso, deixou sua residência em Aquidauana e agora vive em outra cidade no interior do estado, onde tenta recomeçar mais uma vez. Ele prefere não revelar sua localização para evitar represálias e não encontrar obstáculos que comprometam a ressocialização. 

 

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