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Final Feliz

Aquidauanense que precisou passar por amputação subiu ao altar com as próprias pernas em cerimônia emocionante

Celebração de casamento de Cristiane da Silva Ferraz ocorreu na noite da última sexta-feira, no espaço Z Garden, na Capital

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A aquidauanense Cristiane da Silva Ferraz, na última sexta-feira (15), realizou seu sonho de subir ao altar com 'as próprias pernas', durante uma cerimônia muito emocionante, ocorrida no espaço Z Garden, na Capital. O noivo, sortudo, foi Loivo Knapp de Almeida, homem que a conheceu em 2009 e que, desde então, se considera apaixonado por ela.

O casamento, que contou com grande ajuda e doações de uma emissora de TV, teve a celebração feita por mestres da Igreja Messiânica, que cultiva cultiva o espiritualismo e o altruísmo, faz o homem crer no invisível e ensina que existem espírito e sentimento não só no ser humano, mas também nos animais, nos vegetais e nos demais seres. 

O casal apaixonado, após a sessão de fotos e os demais momentos divertidos com os convidados, conversou com a equipe de reportagem do jornal "O Pantaneiro" para contar um pouco mais sobre a onda de felicidade que os atingiu depois da celebração. Loivo, agora esposo de Cris, falou que tem muito a agradecer aos colaboradores. "Nós divulgamos a nossa história no Facebook e uma jornalista do Balanço Geral, da Rede Record, entrou em contato conosco para saber mais sobre nós dois. Nós fomos ao programa e, lá, ficamos sabendo que ganharíamos o salão, o cerimonial e demais ajudas de custo com a celebração do nosso casamento. Foi graças a eles que tudo isso foi possível, já que esse era o nosso sonho e, até então, nós não tínhamos condições de realizá-lo", disse.

Já Cristiane, que foi abordada após sessão de fotos na parte externa do salão, contou que está muito realizada por poder fazer aquilo que sempre sonhou. "Eu estou muito feliz por realizar esse sonho, de casar com alguém que me ama e que gosta de mim do jeito que eu sou. É algo que eu e minha mãe, que com certeza está presente aqui comigo, sonhávamos muito. Estou grata a todo mundo que compareceu, aos novos parentes... Agora, eu tenho uma família nova. Para quem sempre foi muito sozinha, hoje eu posso considerar que tenho uma família muito grande", explicou.

Ela também falou que a cerimônia, no geral, foi muito além do que ela pensou que seria. "Foi inesperado e perfeito, além do que eu sonhei. Ter minha família e meus amigos reunidos aqui, para mim, foi muito especial", finalizou.

História

Aquidauanense, Cristiane da Silva Ferraz veio pra Campo Grande muito cedo, junto de sua mãe, Carmen da Silva Dias e seu pai, Sady Ferraz. Desde a mudança, instalou-se na Cohab e de lá nunca mais saiu. Na mesma casa, Cris viu seus pais se separarem durante a infância, concluiu o curso de Publicidade e Propaganda, lutou contra a diabetes, amputou primeiro o pé e depois a perna esquerda, e sofreu ao se deparar com a solidão quando sua mãe veio a falecer vítima da mesma doença.

Cacá, como era conhecida Carmen, nasceu em uma aldeia indígena de Aquidauana e quando veio pra Capital começou a trabalhar como doméstica e babá para sustentar a filha. A diabetes sempre foi sua maior vilã, tanto é que por conta dela sofreu uma parada cardíaca no dia 18 de fevereiro de 2014 e partiu daqui. Depois do divórcio, a casa na periferia era dividida apenas entre elas. Quando Cacá faleceu, Cris ficou sozinha no espaço e, naturalmente, desenvolveu depressão.

A má circulação causada pelo diabetes lhe trouxe uma notícua que a deixou sem chão. Cris teve de amputar o pé esquerdo. Logo em seguida, em 2013, uma osteomelite a obrigou a amputar parte da perna. Nessa época, Cacá ainda estava junto e acompanhou a cria em uma jornada de três meses no hospital por conta da inflamação nos ossos.

Lionel Messi foi o serzinho responsável por tirar Cristiane da depressão. A tristeza cedeu espaço para a sede de viver. Mesmo assim, o corpo doente apresentou insuficiência renal.

Frágil por fora, ela resgatou em seu interior aquela força da antiga Cristiane.

Uma pessoa em especial esteve sempre por perto. O gaúcho Loivo a conheceu em 2009 em uma rede de supermercados em que trabalhavam. Formaram uma amizade intensa que se mantem até os dias atuais. 

Depois de ter se mudado pro Rio Grande do Sul e voltado para a Capital, os amigos ficaram algumas vezes.

Nos dias ruins, o amigo colorido fazia questão de se fazer presente mesmo que só pelas redes sociais. O cenário mudou realmente há um ano. Loivo a pediu para namorar com ela, contrariando as previsões de Cacá.

O relacionamento deu ainda mais incentivo à Cristiane. Na fisioterapia, se motivou a voltar a caminhar. 

Seu parceiro decidiu oficializar a união a pedindo em noivado.

A família do casal por enquanto só tem filhos de quatro patas. Além de Messi, Tupã, Zeca e Zulu completam o time. Contudo eles não descartam a possibilidade de ter um filho no futuro.

Espiritualidade

A Igreja Messiânica Mundial foi fundada no Japão em 1º de janeiro de 1935 por Mokiti Okada, chamado pelos messiânicos Meishu-Sama, que, em português, significa “Senhor da Luz”. No Brasil, a Igreja foi introduzida em junho de 1955 e, atualmente, possui 509 unidades denominadas Johrei Centers, com cerca de dois milhões e meio de messiânicos entre ministrantes de Johrei e simpatizantes, e filiais em mais de 70 países.

O objetivo principal da Igreja Messiânica é a construção do Paraíso Terrestre – um mundo isento de doença, miséria e conflito – criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material. Tem no Johrei o seu principal instrumento de difusão religiosa e atua em áreas distintas como arte, educação, cultura e meio ambiente.

Para a concretização do Mundo Ideal, onde haja Verdade-Bem-Belo, os messiânicos se empenham para fazer sempre o melhor, difundindo e trabalhando incansavelmente na busca do equilíbrio de cada indivíduo, por meio do Johrei, cultos, palestras e trabalhos voluntários.

Mais do que uma simples religião, a Igreja Messiânica acredita no seu papel de ultrarreligião devido às suas várias atividades realizadas em parcerias com instituições que desenvolvem trabalhos embasados nos ensinamentos de Meishu-Sama. São eles: Fundação Mokiti Okada; Centro de Pesquisa Mokiti Okada; Ikebana Sanguetsu; Faculdade Messiânica; Korin Agropecuária Ltda.; Korin Meio Ambiente; Korin Construtora Novo Mundo e Korin Alimentação.

Meishu-Sama, seguindo o exemplo da natureza, em que tudo se desenvolve a partir de uma pequena forma ou de um pequeno modelo, iniciou, em 1945, no Japão, a construção de protótipos do Paraíso Terrestre os quais chamou de Solos Sagrados.

 

*Com informações do Campo Grande News e do site da Igreja Messiânica Mundial do Brasil. Fotos retiradas do Facebook.

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