Aquidauana
Aposentado da construção civil, artesão vive vida simples, mas com muita paixão pelo ofício
O nome dele é José do Nascimento Silva Filho, mais conhecido como “Zé Maranhense”. Figuraça de Aquidauana, o artesão aposentado de 67 anos vive uma vida modesta, porém apaixonada pela arte da cutelaria e a moda de viola. Ele vende suas facas e afia ferramentas, alicates e tesouras há 3 anos em frente à casa em que mora desde 1972 na Rua Antônio Nogueira, 930, Bairro Alto.
Com a sabedoria do típico homem sertanejo, Zé Maranhense tem muitos amigos. “Minha profissão é minha vida, não tenho inimigos, se alguém não gosta de mim, tô pouco ligando”, diz despretensiosamente.
Zé Maranhense é mestre de obras aposentado. Durante 35 anos exerceu a profissão. Depois que se aposentou, voltou à paixão pelas facas, ofício que aprendeu com o pai, carpinteiro, ainda guri. “Eu sei que é um dom esse gosto pela arte. Sobre se dá dinheiro, eu anotei: quando o tempo tá bom, dá pra fazer 600, 700 reais por mês. E o salário é pouquinho demais pra gente poder passear. Quem tem dinheiro mesmo é os ‘homi lá de riba”, analisa com lucidez impressionante.
Mas mesmo assim, como ele diz, nesse “mundão véio de meu Deus”, está sempre otimista e trabalha com entusiasmo. “Isso aí eu defendo os pneuzinhos da minha moto, compro corda pro meu violão, essas coisas.”
Faca boa para pantaneiro
Zé Maranhense é o preferido dos pantaneiros da região. As facas que faz, com ferro e aço oriundos de ferro-velho ou doados por amigos que lhe trazem um machetão véio aqui, uma serra sucuri ali, fazem sucesso por cortar que é uma beleza.
“Não dá para quem quer. Os pantaneiros gostam de uma faca boa, desse modelo de ‘barriga de pacu’, bem volteada. Também sai muito a afiação de ferramentas. Agora mesmo tô fazendo uma faca com o melhor aço que é de mola de porta de armazém. Corta mesmo, a turma pede direto”, explica mexendo nas tralhas.
Entre a afiação de uma tesoura para cortar tecido, outra de alicate de unha, também de tesoura de cortar crina de cavalo, além do principal, claro, que é a venda de facas, Zé Maranhense aprecia uma boa moda de viola. Ele toca com o parceiro na dupla “Nelson Alagoano & Maranhense”, e ainda dá aulas de violão para crianças e adultos, toda segunda, quarta e sexta, das 19 às 20 horas.
“A turma chama nóis pra tocar um Tião Carreiro, um Tonico e Tinoco, comer um churrasquinho, tomar uma cervejinha...É demais da conta de bom.”
E nessa vida de aposentado, artesão, violeiro e cantor, Zé Maranhense, casado há 47 anos e pai de uma renca (apenas uma filha, conta entre risos), deixa seu decreto. “Não tenho tudo o que eu quero, mas amo tudo o que eu tenho”.
Ah se muita gente pensasse assim, o mundo, definitivamente, seria um lugar melhor.
*Com informações de Luiz Guido Jr.
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