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Dia do Médico

“Se não fosse pelo tio Ademir eu não estaria aqui hoje”

O Pantaneiro conta a história de Samara que pode ser de tantas outras crianças que passaram pelas mãos do Dr. Ademir Bossay

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Samara de Oliveira Souza tem 24 anos, e é bacharel em direito. Quem a vê cheia de vida não imagina que ao nascer estava desenganada pelos médicos.

“Eu nasci com 1,9 kg e 45cm, tinha uma mancha no pulmão e não tinha flora intestinal. Fui desenganada pelos médicos e um até virou pra minha mãe biológica (pois sou adotiva) e disse que ou eu ia pra Campo Grande naquele momento ou eu não sobreviveria. Minha mãe na época não tinha condições, assinou o termo de responsabilidade e me tirou do hospital, pois não sabia o que fazer, foi aí que ela ligou pra minha tia, no caso minha mãe hoje,  e explicou a situação. Ela saiu louca atrás do tio Ademir, que me cuidou desde então. Ele fez todos os procedimentos, encaminhamentos, foi até atrás da ambulância e me encaminhou para Campo Grande. Minha mãe fala que nos dois meses que fiquei internada lá ele acompanhou tudo. Estava presente a todo momento. Se não fosse pelo tio Ademir eu não estaria aqui hoje”, conta.

 

Ao relembrar do médico por quem tem carinho até hoje, Samara diz  que graças a ele teve uma infância tranquila e que a gratidão por ter salvado a sua vida será eterna.  

“Depois de tudo, tive uma infância como qualquer outra criança, era espuleta. Por isso tenho um carinho imenso por ele, uma admiração muito grande, tanto no profissional como a pessoa que é. Cuidou de mim até os meus 16 anos e espero que ele possa cuidar dos meus filhos ainda.”, revela.

Com 45 anos de pediatria, Dr Ademir Bossay coleciona histórias emocionantes. “Há uns anos atrás fui até um restaurante e quando fui pagar a conta, a moça da recepção perguntou se eu era o doutor Ademir, falei que sim e ela se emocionou, virou para o meu amigo e disse que eu havia salvado a filha dela. Disse que a filha dela estava a beira da morte e que eu a internei e depois de 20 a 30 dias ela teve alta. Outra vez recebi um convite para ir a uma formatura de medicina. Alguns dias antes o pai do formando me ligou e pediu que eu comparecer ao evento e confirmei minha presença. No local, o pai agradeceu o irmão por ter ajudado economicamente na formação do seu filho, a esposa pelo amor e dedicação e em terceiro lugar veio meu nome. Ele disse que na noite fria, uma grande geada em julho, houve o nascimento do seu filho. Devido a uma intercorrência e o quadro indefinido da criança me chamaram, eu o atendi, o salvei e hoje ele era grato porque o filho estava ali se tornando médico. Eu fui pego de surpresa em meio aquelas pessoas e fiquei comovido”.

Doutor Ademir com sua esposa Rose, seus três filhos

Ao ser perguntado porque escolheu a medicina, doutro Ademir fala que trabalhou em uma farmácia por algum tempo quando jovem em seguida e acompanhou a doença de seu pai até seu falecimento, quando ele tinha 16 anos. “Foi aí que decidi ser médico e foi fazer a faculdade”.

Mirandaense da gema, o futuro médico cursou a faculdade federal do Paraná e na reta final tinha que decidir qual rumo daria a sua vida. “Naquela época ainda não haviam muitas especializações, mas eu pensava que se não tivesse uma  poderia ficar difícil em alguns anos. Tinha feito um estágio na pediatria, e eu tinha gostado muito de lá. No final da faculdade encontrei um colega que foi chefe daquela residência e falei do meu interesse. Ele elogiou meu trabalho e disse para eu me candidatar a vaga. Era quase um novo vestibular porque a concorrência era alta, mas ele falou que me indicaria porque viu que eu tinha visto o meu trabalho e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito”.

Ademir com seus filhos Italo e André, que também são médicos, e Ariane, que é advogada

A vinda para Aquidauana aconteceu após o convite pelo também recente médico Roberto Trindade. “Ao me formar estava com várias propostas de trabalho, mas Roberto, a quem tinha conhecido na época da faculdade, pediu pra eu vir até aqui conversar com ele. Quando cheguei disse que não tinha nada pra me propor, mas queria que eu fizesse parte de sua equipe porque com a minha formação ele sabia que daria tudo certo, 60 dias depois a previsão dele já havia se cumprido. Cheguei entre o dia 15 e 17 de abril de 1977 e fique desde então”, conta, explicando que a escolha da cidade também foi para ficar próximo da mãe que era viúva e morava sozinha em Miranda.

Casado e pai de três filhos, Ademir sente orgulho de ter feito parte do nascimento de tantas crianças da cidade. “Qualquer lugar que eu entro, tem alguém que vem falar comigo, me cumprimenta lembrando uma história, e estar inserido no tecido social é muito gratificante. Lembro de uma vez me falarem sobre o retorno financeiro que teria, mas ter pessoas e me agradecendo pelo que fiz, realizar o primeiro atendimento de um bebe recém nascido com 45 anos de formação ou estar aqui dando essa entrevista a vocês por ter sido lembrado com carinho por alguém, isso vale mais do que qualquer retorno financeiro que eu poderia ter”.

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