São 55 anos contando a história da nossa gente, de pessoas próximas e amigos tão especiais
Kamila Alcântara
Publicado em 05/05/2020 às 09:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:08
Morar no interior tem suas particularidades, principalmente quando o assunto é receber a atualização das informações. Imagina isso quando não tinha internet? Um dos motivos que fortaleceu a ideia de criação do O Pantaneiro foi exatamente a regionalização da notícia, para você conhecer histórias que acontecem no seu bairro ou na cidade vizinha.
Quando acessamos o portal do Jornal O Pantaneiro, vemos que os jornalistas deixam disponíveis assuntos de todos os tipos, como vagas de emprego, as matérias policiais que todo mundo dá uma olhadinha, política, saúde e até temas nacionais. Tudo muito mais fácil de ser captado e disponibilizado do que era em maio 1965, quando tudo começou.
"Eu e o Augusto, advogado, meu amigo, éramos os diretores e fazíamos tudo. As vezes a gente rodava o jornal na base da alavanca. Naquela época, a gente escrevia de tudo, a parte policial, social, eu escrevia até poesia”, conta o odontólogo Oscar de Barros Filho, hoje com 81 anos, que fundou O Pantaneiro junto com o advogado Augusto Alves e o grafista Aldo Royg.
Mesmo com os seus primeiros anos de atuação em meio ao Regime Militar, as palavras de crítica para quem estava no poder não eram medidas, chegaram até gerar chateações, mas tudo era feito com muita cuidado e responsabilidade. Afinal, sabemos o que poderia acontecer com quem ultrapassasse alguns limites.
Oscar compartilhou com a gente como foram os primeiros anos de trabalho no O Pantaneiro. (Foto: Arquivo Pessoal)
“Me lembro de escrever uma crítica a respeito do prefeito da época, Chico Ribeiro. Ele estava contatando uma firma para fazer estradas e eu achava que acabaria dando em nada, como não deu. Chico ficou chateado comigo, achou que eu pegue pesado, mas depois ficamos amigos. A gente tem de lembrar que naquela época trabalhávamos com certo cuidado porque qualquer coisa, um mal entendido, sabe onde ia parar não é? Tivemos alguns amigos presos, mas isso faz parte. Hoje tudo isso ficou só na lembrança”, lembra Oscar.
A marca do O Pantaneiro é ter o seu material impresso semanalmente, mas já houve época que tinha mais de uma edição por semana, sendo necessário que 20 pessoas se envolvessem no trabalho. Para quem testemunhou as dificuldades de se manter um jornal impresso no interior do Mato Grosso do Sul sabe que as empresas que apresentaram melhores alternativas para vencer os desafios são as que permanecem hoje.
“Não se tem condições de fazê-lo mais de uma vez por semana, muito embora o jornal já tenha circulado com mais frequência, era impresso às quartas-feiras e aos sábados. Mas é um custo muito grande e os acontecimentos não são suficientes para fazer um jornal atrativo, isso para qualquer um do interior. Quem quis fazer diário, pagou um preço alto, não deu continuidade e acabou fechando”, pontua de forma realista José Lima Neto, o seu Lima, a frente do jornal desde 1975.
Seu Lima até hoje está envolvido com a impressão do jornal. (Foto: O Pantaneiro)Para ele, o papel mais importante dos jornais do interior é a valorização da nossa gente, da nossa cultura e histórias. Essa importância não é só do O Pantaneiro, é de todos os meios de comunicação dos municípios do interior, pois só quem está aqui sabe o que nos identifica.
“Os jornais do interior são aqueles instrumentos que se tem pra se registrar o cotidiano, e o dia-a-dia da cidade, só o jornal da cidade, daquela localidade, pode fazer isso, porque outros jornais, da Capital de outros lugares, não vivenciam aquilo. É isso que nos temos feito durante esses 45 anos. Tudo o que aconteceu nesses anos todos está registrado nas páginas do Pantaneiro”, conclui o seu Lima.
A entrevista completa com Oscar de Barros Filho e José de Lima Neto você encontra na edição especial em comemoração aos 55 anos do Jornal O Pantaneiro.
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