Com uma notícia triste aos familiares, mas que traz uma grande inspiração a todos nós neste período de pandemia, informamos o falecimento ocorrido nesta terça-feira, 05 de maio, da senhora Maria das Dores da Conceição, após uma semana internação no Hospital Funrural de Aquidauana.
Aos 105 anos, a Pernambucana possuía o documento de identidade que comprovava o seu nascimento ocorrido em 15.01.1915 na cidade de Lagoa dos Gatos. Como era muito comum na época, casou-se bem nova e foi viver no município de Belém de Maria (PE) e não conseguiu ter mais contato com os seus pais e irmãos.
Uma separação ainda maior iria ocorrer na família dela. Assim como ela, que era a irmã mais velha, a caçula Arlinda Maria, também casou-se, mas seu destino após o casamento foi o município de Aquidauana (MS), um refúgio de esperança de desenvolvimento a muitos nordestinos na época.
Cerca de 50 anos separaram as duas irmãs que nunca mais tiveram notícias uma da outra após os seus matrimônios. Não viram o nascimento e o crescimento de seus sobrinhos, não compartilharam suas conquistas nem a tristeza do falecimento de seus companheiros e até dos seus descendentes. Dos seis ou sete filhos que Maria das Dores teve, apenas uma ainda está viva.
Mas foi com a ajuda da tecnologia, mais precisamente das Redes Sociais que um reencontro pode enfim, acontecer após cinco décadas. A partir de troca de mensagens pelo Facebook e muitas expectativas para verem a alegria das irmãs, em 2016, com a ajuda da família, a aquidauanense Arlinda viajou em companhia da neta para o nordeste para rever a irmã. Quando se viram, nunca mais conseguiram se separar e, na hora da partida, Maria das Dores estava decidida a voltar junto com a irmã para também viver em Aquidauana.
Maria e sua irmã Arlinda (Foto: Arquivo pessoal)
Se fizermos as contas, ela já chegou na cidade com mais de cem anos e com muita história para contar. Realizou o sonho de conhecer cada um dos membros da família e parecia saber aproveitar os momentos de prazer com muita cantoria e a dança de um bom forró de serra. Católica fervorosa, fazia questão de frequentar as missas dominicais na Comunidade Perpétuo Socorro, no Bairro Alto, em posse de seu terço e véu, como nas antigas tradições.
Nos últimos dias antes de partir, em tom de despedida, ela disse a sua irmã Arlinda que passou os momentos mais alegres de sua vida em Aquidauana. Agradeceu todo o carinho recebido e partiu na madrugada de ontem (5). O sepultamento ocorreu no cemitério municipal no final da manhã. Ela deixa uma filha, netos e bisnetos.