97% das vítimas são do sexo feminino
Mylena Garcete Rocha
Publicado em 18/05/2020 às 18:44
Atualizado em 10/09/2026 às 14:08
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é celebrado nesta segunda-feira (19) e marca luta por direitos humanos. Em Aquidauana, quando se fala de combate ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes o ponto de referência para quem busca ajuda e para denunciar é o CREAS ( Centro de Referência Especializado de Assistência Social). Em 12 meses, de maio de 2019 até maio deste ano, o CREAS de Aquidauana recebeu 44 casos novos de abuso e exploração sexual infanto-juvenil, sendo deste total, 97% das vítimas são do sexo feminino, na faixa etária de 0 a 17 anos.
Em Aquidauana, a incidência de casos de abuso e exploração sexual infanto-juvenil tem acontecido em todas as idades, desde bebês aos adolescentes. Conforme relatório do CREAS, os casos de abuso e exploração sexual infanto-juvenil em Aquidauana, tem ocorrido em todos as regiões – área urbana, rural, distritos e aldeias. Há denúncias em todos os bairros e os com mais incidência de casos são: Nova Aquidauana, Jardim Aeroporto e Bairro Alto.
Conforme explicou a coordenadora do CREAS de Aquidauana, Juliane Ribeiro a maior incidência de casos nestes bairros citados anteriormente, não está atrelada à realidade socioeconômica dos moradores. “Há nesses bairros uma rede apoio, ou seja, vizinhos, amigos, a própria família da vítima que denunciam mais do que outras localidades da nossa cidade. A violência acontece em todos os bairros, independente de situação econômica”, detalhou Juliane.
A pior situação encontrada pelo CREAS em Aquidauana, é que os agressores estão dentro da casa da vítima, ou seja, na maioria das vezes são os pais, avós, tios e vizinhos. “Essa proximidade entre vítima e agressor, prejudica a rapidez das denúncias serem feitas, pois há medo e coação para com a criança, o adolescente, fazendo com que eles se calem e continuem sofrendo o abuso”, explica a coordenadora do CREAS.
Em Aquidauana, a equipe do CREAS tem atendido diversas situações com vários tipos de violência doméstica, dentre elas: física, psicológica, negligência e o abuso e a exploração sexual. Além das crianças e adolescentes, a equipe do CREAS ainda atende deficientes, idosos, migrantes, pessoas em trajetória de rua e vítimas de discriminação sexual ou racial.
Prevenção e denúncia
Para prevenir as diversas formas de violência e informar a população sobre como e onde denunciar, o CREAS de Aquidauana realiza periodicamente palestras nas escolas, nos bairros, nos postos de saúde, nas universidades; distribuem materiais informativos; realizam blitz educativas com estudantes e a população nas ruas do centro da cidade; e divulgam na imprensa os canais de ajuda e para denúncia.
O prefeito Odilon Ribeiro também fez um apelo à população para que ajudem a denunciar os casos de violência infanto-juvenil. “Nossa cidade é grande, mas se cada cidadão que souber e puder ajudar denunciando, vocês irão ampliar essa rede de apoio e ajudar a salvar nossas crianças e adolescentes que estão sofrendo violência e abusos. Precisamos denunciar, não podemos nos calar”, afirmou o prefeito Odilon Ribeiro.
A secretária municipal de Assistência Social, Rosemery Bossay alerta que o trabalho do CREAS e a campanha 'Faça Bonito” não é só em maio, mas é permanente, o ano todo e as pessoas podem ajudar denunciando.
A coordenadora do CREAS, Juliane afirma que “a denúncia é o primeiro passo para acabar com a violência e o sofrimento daquela criança e do adolescente”.
Onde e como denunciar e buscar ajuda? - O CREAS de Aquidauana está localizado na Rua dos Ferroviários nº 1231, bairro Alto, telefone: 3240-1400 (de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h); nos finais de semana as denúncias podem ser via Plantão Social (67) 98471-4297 e o Conselho Tutelar (67) 3241-7868. Pelo Disque 100 as denúncias também chegam ao CREAS, a ligação é gratuita e o anonimato é preservado.
Educação Sexual
Neste período de alerta e de campanha ao combate ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes, um tema que fortalece e muito a proteção infanto-juvenil é a educação sexual.
É preciso esclarecer que “educação sexual” não é incentivar a criança ou adolescente a praticar qualquer tipo de atividade sexual. Mas é informar as crianças e adolescentes, numa linguagem apropriada a idade deles, sobre as partes do corpo humano e suas funções e a necessidade e importância de respeitar o próprio corpo e o da outra pessoa.
Desta forma, com a correta educação sexual é possível que a criança e o adolescente aprendam qual “toque e abordagem” pode ter caráter violento e abusivo e, assim, ela conseguir evitar e denunciar o abuso sexual.
“A falta de informação é benéfica para quem pratica a violência, para quem não sabe como se proteger. A educação sexual é uma função também dos pais, da família explicar aos seus filhos, pois, dessa forma, ajudarão a criança a se proteger”, completou a psicóloga e coordenadora do CREAS, Juliane Ribeiro.
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Educação
Atividade reuniu estudantes em uma experiência de valorização dos costumes e saberes regionais; proposta aproximou educação, cultura e comunidade dentro da escola
Voltar ao topo