Nossa gente
Trabalhar em comunicação é estar diariamente informando quantas famílias estão enlutadas pela perda de um ente querido para Covid-19. São tantas notícias e informações assustadoras que ver algum parente sofrendo com o vírus traz inseguranças, como para todo mundo.
O policial civil aquidauanense Ronaldo Regis é colunista esportivo em suas folgas, acompanhando as partidas de futebol locais. Foi narrando o jogo do Aquidauanense com o Dourados, no último domingo (28), que não conteve as emoções ao saber que o irmão reagiu bem ao tratamento contra Covid e estava o assistindo na TV do hospital.
Reginaldo Regis, de 54 anos, irmão do Ronaldo, estava no sétimo dia de isolamento quando precisou ser internado no Hospital da Cassems no último dia 25, conseguindo um leito na unidade de Corumbá. Desde então a apreensão tomou conta dos familiares.
Naquele domingo Ronaldo apareceu em um link ao vivo pela TV, o que é raro. Lá em Corumbá, no leito da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), Reginaldo viu e gritou para todos os médicos que aquele era o seu irmão, como se aquilo o enchesse de força para batalha. A informação chegou em Aquidauana no meio da partida, emocionando a todos.

“A gente diariamente tem um turbilhão de informações sobre este vírus e outro turbilhão de dúvidas também. Todos estamos vulneráveis, a população está vulnerável. Estou acostumado a dar notícias e de repente, ao vivo, recebo a notícia de que meu irmão, no leito de UTI, reage e grita meu nome para os médicos me verem na TV. É de Deus, porque não é normal eu aparecer na TV, porque sou de rádio. De repente eu apareço justamente no dia em que meu irmão estava precisando de um empurrão para reagir”, compartilha Ronaldo com O Pantaneiro.
Hoje a informação que a família tem é que Reginaldo está lúcido, orientado, comunicativo. Os médicos disseram que ele está se sentindo mais confiante a cada dia, com menos dificuldade em respirar. Desde o dia do jogo está mais otimista e interagindo com a equipe da UTI com mais animação. Ele ainda necessita de máscara de oxigênio e a saturação está em 94.

“Se eu pudesse gritar para o mundo, eu gritaria para que amássemos mais. Isso é amor entre irmãos, entre família. Somos três irmãos e duas irmãs muitos ligados. Aprendemos a compartilhar as coisas boas e as dificuldades um com os outros. É aquela coisa: na alegria e na tristeza estamos juntos”, conclui Ronaldo.
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