Com faixas e cartazes, familiares e amigos da indígena Ruthe Luiz Mendes, 38 anos, realizaram na tarde desta sexta-feira (14), uma manifestação em frente ao Hospital Regional de Aquidauana. Grávida, a mulher morreu há exatos dois meses na unidade após um procedimento cirúrgico.
Ao jornal O Pantaneiro, o marido Elciney Paiz Flores, acredita que esposa e filho morreram devido a um erro médico.
“Após a morte da minha esposa, se quer recebemos uma ligação ou mesmo apoio do Hospital. Inclusive, desconhecemos se de fato foi aberto algum procedimento administrativo interno para apurar o que aconteceu. Apenas nos informaram que o médico que realizou o procedimento nela [Ruth] está afastado de suas funções na unidade de saúde”, detalha.
Abalado, Elciney diz que já registrou boletim de ocorrência, buscou atendimento da Defensoria Pública de MS, Ministério Público do Estado e Ministério Público Federal.
“Acordo chorando todos os dias. Quero Justiça. Aproveito também para cobrar os vereadores do município que, compõe a comissão de saúde para assim como eu cobrarem respostas do que aconteceu”, disse.
Questionado sobre os passos seguintes, Elciney revela que, caso continue sem uma resposta efetiva a próxima manifestação contará com “os guerreiros indígenas”.
Outro lado
Por telefone, o jornal O Pantaneiro entrou em contato com a administração do hospital que, informou estar enviando todos os documentos sobre a paciente para os órgãos envolvidos com a investigação do caso.
“A administração do hospital entendeu que não houve nenhuma irregularidade por isso não foi aberta nenhuma sindicância. A paciente não tinha feito pré-natal e existem várias outras circunstâncias que podem ter provocado essa fatalidade”, disse o advogado do setor jurídico do hospital, Aluísio Cáceres.
Entenda o caso
Ruth, que estava grávida deu entrada no hospital no dia 12 de março. Ao ser atendida, foi informada que precisava ser encaminhada para a Capital.
Uma médica que acompanharia a família na viagem realizou um exame mais complexo e disse ao pai que não sentia os batimentos cardíacos da criança, e que era protocolo ouvir os mesmos para saber se a criança estava viva ou não.
Diante da situação, segundo Elciney, a equipe médica foi atrás de um operador de ultrassom, mas sem sucesso. Eles precisaram aguardar até o dia seguinte, quando o profissional chegou e realizou e exame.
“Era tarde demais, ao fazerem os exames o coração do bebê já não batia mais e minha esposa precisou passar por uma cirurgia para a retirada da criança”, afirma.
Ruth chegou a ser transferida para o quarto, mas não resistiu e morreu.
Ao pai, os médicos disseram que a mulher teve uma pré-eclâmpsia e não conseguiram salvá-la.
“Minha esposa e meu filho estariam vivos agora comigo aqui, se tivessem feito a ultrassom nela, naquele momento”, acredita.