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São e salvo

Após quase perder o rim e ser reanimado três vezes seguidas, José é o mais novo "milagre" da covid

Foram 56 dias entre a vida e a morte, sendo 48 deles direto na UTI; mas saiu vivo

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Acredite: existem milagres da covid – e seu José Rafael Alves Rondon é um deles. Aos 60 anos, o terceiro-sargento da Polícia Militar de Aquidauana simplesmente ficou entre a vida e a morte. Por 56 dias, sendo 48 deles entubado na UTI (unidade de terapia intensiva), ele quase ficou sem o rim, teve paradas cardíacas consecutivas e deixou a família aflita à espera de uma notícia trágica que jamais se concretizou.

Foram 56 dias entre a vida e a morte, sendo 48 deles direto na UTI; mas José Rondon saiu feliz, vivinho da Silva.

Sem perder a vida – e estando de "boa" com ela –, seu José teve alta do hospital de Aquidauana na tarde de ontem (9). Para sua surpresa, uma homenagem da corporação que um dia trabalhou o aguardava. Justo para ele, o "milagre" da covid em pessoa.

Para a filha que quase testemunhou o pai perder a luta para o vírus invisível, passar o último domingo (8) de Dia dos Pais abraçando o seu querido "vivinho da Silva" foi simplesmente a "melhor sensação do mundo".

Comemoração da família ao ver o patriarca ter alta do hospital; vivo como se encontra, trajetória agora é árdua.

"Vivemos todos dias de angústia, sem saber se ele iria voltar dessa. Mas confesso que fiz um acordo com Deus, que ele não negou de cumprir. Clamei para que assim que meu pai voltasse de ambulância, de Corumbá para Aquidauana, ele tivesse ainda mais saúde e muito mais vida pela frente", admite a pedagoga Juliana Rondon, 29 anos, filha do paciente "milagroso".

"Passei os Dias dos Pais no hospital juntinho dele, o que para mim já foi uma enorme alegria dele estar vivo e feliz. Nos abraçamos e eu disse o quanto amava ele".

O roteiro do "longa-metragem" de seu José começa assim: no dia 8 de junho ele testou positivo para o novo coronavírus.

"Tudo começou com uma tosse fraca, que ao longo dos dias migrou para uma febre que não passava, além da falta de ar que ele sentia. Ia e voltava de consultas no hospital, até que na terceira vez ele realmente precisou ser internado", explica a filha.

Ao lado da filha Eliana e da esposa Maria, José ainda estava no hospital, em diálise e com uso de sonda nasogástrica.

A internação em Aquidauana aconteceu do dia 15 ao 22 de junho. Na sequência, foi transferido para Corumbá, pois já não estava mais respondendo aos antibióticos no tratamento por aqui.

"Precisava tomar uma medicação mais forte e receber cuidado direto da UTI", comenta Juliana.

Já no Hospital Cassems da Cidade Branca, José passou mal da madrugada do dia 23 daquele mês e precisou ser entubado às pressas. Ficou assim por 48 dias, tendo várias intercorrências pelo caminho: os rins pararam e houveram diversas reanimações após parada cardiorrespiratória. Com pressão alta e sem dose de vacina, a covid quase fez de José Rondon mais uma vítima fatal. 

"O estado do meu pai era gravíssimo, com a possibilidade dele até mesmo já não acordar mais após a desintubação. Para se ter uma ideia, demorou cerca de 15 dias para os sedativos e os aparelhos serem desligados com segurança. O 'normal' é apenas 1 semana", conta a filha.

Aqui seu José ao lado de viatura da Polícia Militar de Aquidauana; corporação fez questão de prestar homenagem.

Homenagem – Mais do que vivo, mas confiante do futuro, seu José recebeu no dia de ontem (9) já transferido de Corumbá para o Hospital Cassems de Aquidauana.

Ainda na cadeira de rodas, a filha detalha que seu pai ainda está muito cansado devido ao grave quadro da doença que o deixou bastante debilitado, porém ele mesmo afirmou aos familiares que acredita ser um "milagre em pessoa".

E como uma "entidade milagrosa" que se tornou, seu José realmente mereceu a homenagem prestada pelos amigos e colegas do 7º Batalhão da Polícia Militar aquidauanense. Com viaturas e um "buzinaço" especial, assim foi a recepção calorosa – e com máscara – da PM para o seu "Tafarel".

Veja no vídeo abaixo:

"Ele se emocionou demais com a homenagem prestada pela corporação, pois se sente grato por todos esses anos prestados ao serviço. Nós familiares também ficamos felizes pelo carinho com o nosso pai – o 'Tafarel' deles, como o apelidaram. A ideia foi dos próprios companheiros de serviço, que em nenhum momento deixaram de acompanhar a situação dele no hospital", esclarece.

Na página do Facebook, o 7º BPM compartilhou a homenagem na rede social por meio de sua assessoria.

Ao lado de colegas da corporação, que comemoraram o fato do seu "Tafarel" ter se livrado da doença com garra.

Para ela, é difícil pontuar um momento específico da "jornada covid" do seu "velho", pois crê que desde o resultado positivo para o vírus já algo "bem aterrorizante".

"Se trata de uma doença que não sabemos como cada um vai reagir. Preciso ressaltar a importância do doutor Renato Oliveira, que foi extremamente prestativo nessa situação tão delicada, um exemplo de médico, de profissional, de ser humano. Ligava para nós todos os dias, deixando a par de como era o estado do nosso querido pai", agradece.

"O problema da covid é que não sabemos como cada um reagirá; mas agradeço pela vida do meu pai", diz Juliana.

A partir de agora, José vai participar de sessões de fisioterapia para se recuperar completamente fora do hospital. Vivo como se encontra, a trajetória agora é árdua.

Sobre todo esse ocorrido com o seu pai, Juliana deixa uma mensagem de alerta: "o mais importante dessa história é que sim, todos nós devemos tomar a vacina o quanto antes".

"Acreditam na medicina, acreditem na doeça! Mas tenham fé em Deus acima de tudo. Vai passar".

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