Mãe de criança assassinada pelo próprio pai fala sobre a superação do luto e o novo bebê que está por vir
João Marcelo Correia Sanches
Publicado em 24/08/2021 às 15:25
Atualizado em 10/09/2026 às 14:39
Há quase dois anos, a jovem Thayelle Cristina Bogado dos Reis passava por uma das maiores dores que o ser humano pode sentir: a dor de perder um filho. Vivendo o processo diário de superação do trauma, a aquidauanense se apega às lembranças felizes do pequeno Miguel e conta os dias para a chegada de um novo membro da família.
As circunstâncias que abreviaram o tempo de Thayelle e seu bebê juntos foram terríveis. Por conta disso, a recuperação envolve a ajuda de profissionais.
"Eu ainda faço meus acompanhamentos psicológicos. Não é fácil, um filho é uma parte nossa, e o meu foi arrancado de mim da pior forma".
Após semanas sem conseguir sequer ficar em sua residência, por conta das lembranças do filho, a jovem conta que tem levado a vida de melhor maneira possível, mantendo sempre o sorriso no rosto como forma de homenagem a Miguel, “pois meu filho sempre me deu tanta alegria que eu quero viver sempre feliz e alegre por ele”.

Parte importante do processo de ressignificação do ocorrido passa também pela busca por justiça. Isso porque Miguel, de apenas dois anos de idade, foi morto pelo próprio pai, Evaldo Christyan Dias Zenteno. O crime aconteceu na tarde do dia 19 de setembro de 2019, quando Evaldo deixou o filho se afogar em uma bacia com água – segundo ele, em uma tentativa de se vingar da ex-mulher.
Após pedido de recurso por parte de sua defesa que adiou o julgamento, o autor, hoje com 23 anos, vai a júri popular nesta quarta-feira (25). Ele foi denunciado pelo crime de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e asfixia por afogamento.
Thayelle afirmou que está indo hoje para Campo Grande e deve acompanhar pessoalmente o processo.
“Nós vamos fazer uma manifestação para pedido de pena máxima. Queremos que ele pague pelo mal que ele fez ao meu filho e pela tristeza em toda a minha família.”
Além da ansiedade pelo julgamento, a moradora de Aquidauana vive a expectativa da chegada de seu “solzinho”. Thayelle está na 36ª semana de gestação e conta os dias para ter o irmão de Miguel em seus braços.
Em um novo relacionamento, ela conta que percebeu na nova gravidez uma oportunidade de recomeçar a vida. “É muito bom sentir o bebê e planejar um mundinho pra ele aqui fora. O nome dele vai ser Ravi, meu solzinho que veio pra iluminar a minha vida de novo. E vai ser aquidauanense também!”, brinca.
Após a tragédia, Thayelle busca um conforto na decisão do julgamento para que possa virar essa terrível página de sua vida, sem jamais esquecer dos sorrisos de Miguel, que permanecerá vivo tanto na memória de todos quanto nas fotos espalhadas pela casa e nos arquivos do celular. “Quando bate um aperto no coração, eu sempre vejo os vídeos dele. A voz dele me acalma. E Miguel sempre gostou de crianças; com certeza iria amar ter um irmãozinho”.
Foto: Vinicius EduardoProtesto – Antes de embarcar rumo a Campo Grande, Thayelle e sua famíla fizeram um protesto no início da tarde de hoje (24) em frente à Lagoa Comprida, reiterando o desejo de que Evaldo seja condenado à pena máxima pelo crime cometido. O julgamento está marcado para começar às 8h de amanhã (25).
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