Após quase 2 anos sem reuniões, finalmente a saudade foi passada a limpo
Na pandemia do novo coronavírus, um sentimento comum vem marcado muita gente: o aperto no peito da saudade. Encontros foram prorrogados num "em breve" sem data, e teve quem mal deu tempo de se despedir. Com a vacinação em massa, pelo menos uma luz no fim do túnel do "trem" da Covid…
Entre tantas histórias de luto, aqui vai uma de esperança e calor no coração. Para uma família aquidauanense, o último sábado (4) foi iluminado. Após quase 2 anos sem aquela reunião "da bagunça", a saudade foi enfim passada a limpo.
Com todo mundo vacinado, a família Gehre pôde voltar a se reencontrar após quase 2 anos vivendo na saudade."O afastamento físico foi muito difícil, mas o dia do reencontro finalmente chegou", comenta Renata Gehre de Oliveira Alviço, 44 anos, sobre a ocasião da celebração da família Gehre. Assim como ela, outros integrantes também já estavam devidamente imunizados – trocando um prato cheio da saudade pela sobremesa gostosa do amor.
"O dia 4 de setembro de 2021 será lembrado pelas suas ressignificâncias: o abraço apertado das irmãs, os risos altos dos primos e primas, as incansáveis rodas de conversas em meio a música e dança, e muitas orações de agradecimento pela família ter tido a precaução de 'vamos nos afastar agora para quando nos reunirmos não falte ninguém'".
Antes da pandemia "explodir" pelo Brasil, porém, a família conseguiu se reunir até então pela última vez às vésperas dos decretos municipais e da quarentena/lockdown terem início. A ocasião foi em um casamento, no dia 14 de março de 2020.

"Guardei aquele momento alegre e festivo com muito carinho, pensando quando é que poderíamos nos rever novamente. Não só eu, é claro, mas todo mundo ficou com aquela lembrança gostosa, com aquele sabor de festa no coração", opina.
E adiciona: "com os decretos, veio o distanciamento social. Entendemos que era importante nos separarmos, mantermos a devida distância uns dos outros para que pudéssemos realizar um novo encontro em segurança, com todo mundo presente e vacinado", esclarece.
A criançada também aproveitou a ocasião para se divertir como há muito tempo não faziam juntos.Juntos outra vez – O local escolhido para a reunião da família Gehre foi a casa de Mário Ravaglia, mais conhecida como "Fundão". Em meio a um quintal repleto de verde, antigas tradições foram rememoradas: no cardápio preparado pelo dono da casa, um carneiro recheado para a hora do almoço. Mas o melhor mesmo foi ter o gostinho de ver todo mundo na mesa comendo junto.
"Não poderia ser diferente. Somos uma família acostumada a nos reunir para almoços, festas ou simplesmente bater um papo em uma roda de tereré ou um cafezinho enquanto a criançada aproveita para se divertir. O último sábado foi escrito enquanto mais um capítulo da nossa história em família, com as bênçãos daqueles que já se foram", homenageia Renata.
Patriarca da família, Walter Gehre foi um taxista, filho de imigrante alemão, que se casou com a costureira Ziláh Figueiredo – ambos já falecidos. Juntos, eles tiveram quatro filhas: Neusa Maria, Zuleika, Wânia e Mônica. Suas "meninas" deram a felicidade de 9 netinhos para os pais. Atualmente na quarta geração, a somatória da família ultrapassa 30 pessoas.
As quatro "meninas" da família Gehre, filhas do taxista Walter com a costureira Ziláh; os pais já são falecidos.Comemorar a vida – Além do sentimento de agradecimento, um outro também foi unânime: o de vitória. "Estarmos juntos novamente trouxe uma alegria sem igual, uma conquista de amor. Afinal, quantas famílias infelizmente não tiveram a mesma sorte que a nossa e ainda sofrem com terríveis perdas?", questiona.
"A pandemia ainda é um momento de muita reflexão, onde nos demos conta que o bem mais precioso são aqueles que mais amamos".
Ao deixar uma mensagem de afeto às outras famílias, Renata confirma que a paciência – e por que não uma dose de vacina? – é a melhor das virtudes.
"Sofremos também com as perdas de pessoas próximas a nós. Foram momentos de agonia, nervosismo e incertezas. Mas a fé, o amor e a calmaria colaram nossos pés de volta ao chão. Que possamos viver um dia de cada vez. É isso que mais desejamos à tantos outros", finaliza.
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