A jovem mostra que não existe trabalhos predominantemente masculinos
Kamila Alcântara
Publicado em 21/09/2021 às 09:25
Atualizado em 10/09/2026 às 14:15
Crédito do vídeo: Kamila Alcântara
Moniely Marcondes, de 27 anos, mora em Aquidauana e é bacharel em geografia, mas a pandemia de Covid-19 fez com que ela procurasse formas de complementar a renda. Foi a bordo da sua Honda Fan preta que conheceu todos os bairros da cidade, de Anastácio e ainda venceu os desafios da nova profissão: motogirl.
O Pantaneiro conversou com a jovem, comunicativa e corajosa, que já treinou muay thai e jiu-jitsu. Ela conta que o primeiro contato com "delivery" foi em uma loja de peças, em que um dos colaboradores quebrou o pé e ela começou a fazer entregas esporadicamente.
(Foto: João Éric/O Pantaneiro)"Com isso eu já fui criando experiências e conhecendo o lugar,conhecendo mais Aquidauana, sabendo quais eram as ruas e como me localizar ali dentro. Depois de umas duas semanas que eu estava fazendo as entregas. Foi quando pensei 'por que não começar a fazer delivery a noite?'. Peguei umas imagens da internet, comecei a postar nos grupos de Classificados do Facebook e Whatsapp, contando a minha experiência nessa empresa", conta.
Durante a pandemia, com os horários de atendimento das lanchonetes, Moniely conseguiu por algum tempo conciliar o trabalho diurno com o delivery, já que as entregas eram até às 22h. Ela fez muitos contatos, muitas amizades e hoje, fica com a Lanchonete Só na Brasa, ela acumula vivências marcantes. Entre elas, a falta de empatia das pessoas.
(Foto: João Éric/O Pantaneiro)"O cliente precisa ter um pouco mais de empatia quem trabalha a noite, com quem faz entrega ou quem faz lanche. Tem muitas pessoas que são ignorantes, agressivas e que tratam mal o entregador. Eu sempre procuro perguntar 'você já trabalhou alguma vez na noite?'.A maioria das que são agressivas não nunca trabalharam. Então, pra mim, tá sendo uma uma experiência muito importante, para ter mais um pouco de solidariedade em relação aos funcionários", compartilha a entregadora.
Sobre o trabalho ser predominantemente masculino, Moniely quebra o tabu com naturalidade, pois os treinos em luta lhe trouxe coragem para enfrentar qualquer situação possível situação de assédio. Tanto que, com a flexibilização do comércio, ela está fazendo entregas até amanhecer aos fins de semana.
(Foto: João Éric/O Pantaneiro)"A gente tá conseguindo ocupar espaços onde, antigamente, eram trabalhos masculinos. É uma coisa muito importante a gente tá quebrando. Também a gente tá influenciando outras mulheres a trabalharem ou, sei lá, aprenderem uma autodefesa, aprenderem alguma coisa pra também não se sentirem inseguras no serviço", destaca.
A motogirl conclui dizendo que, para qualquer corrida, ela deposita sua fé em Deus, crendo que o bem acompanha quem tem bom coração.
"Antes de qualquer coisa, sempre confiar em Deus. Acho que quem tem o coração bom, quem preza pelas coisas boas, quem tem empatia e amor ao próximo, acho que Deus cuida, o universo cuida e que tudo dá certo", conclui.
Assista essa história no vídeo abaixo:
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