Revolta
Oziel Gabriel morreu durante confronto com policiais na reintegração de posse de uma fazenda
O indígena de etnia terena, Oziel Gabriel, 36 anos, morreu no dia 30 de maio de 2013, durante um confronto entre indígenas e policiais no cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse da fazenda Buriti, em Sidrolândia, MS. Passados 10 anos, a comunidade indígena do Brasil, e, principalmente do Mato Grosso do Sul, ainda esperam uma resposta da justiça sobre as condições que levaram Oziel à morte. O cacique da Aldeia Bananal, em Aquidauana, Célio Fialho, é uma liderança indígena que também questiona e espera uma resposta que esclareça a morte.
“É um tema muito revoltante para as comunidades indígenas, porque a morte do Oziel marcou muito. A comunidade indígena de Taunay-Ipegue fez a sua retomada, mais por conta também da morte do Oziel, porque um dia depois da morte do Oziel, as lideranças de Taunay- Ipegue, fizeram a primeira retomada. Amanhã, (hoje 31/05), completa 10 anos da primeira retomada ali na terra Taunay-Ipegue. O que temos cobrado é isso da justiça. Nós queremos justiça. Nós queremos que sejam penalizados, punidos os responsáveis pela morte de Oziel. As lideranças, os caciques de Dois Irmãos, estão elaborando uma carta de repúdio, da justiça brasileira, que até agora não mostrou os culpados e não puniu ninguém. Até hoje temos cobrado, a cobrança sempre foi firme e não teve resposta até o momento. Dez anos da morte do Oziel. Então, esse dia marca muito para as lideranças indígenas”.
Oziel Gabriel morreu com um tiro na barriga durante cumprimento de reintegração de posse de uma fazenda. O jovem defendia, com seu povo, a Terra Indígena Buriti (reconhecida pelo menos desde 1993 e declarada pelo Ministro da Justiça em 2010) e o direito de viver com dignidade em seu território ancestral.
O conflito por disputa de terras no Brasil tem uma longa e sanguínea história. O relatório anual da CPT (Comissão Pastoral da Terra), apresentado no início deste ano e referente a 2022, apontou um total de 2.018 ocorrências de conflitos no campo, envolvendo 909,4 mil pessoas e mais de 80,1 milhões hectares de terra em disputa em todo o território nacional, o que corresponde à média de um conflito a cada quatro horas.
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