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Dor e saudade

Família relembra trajetória de Marcelo Pantaneiro, vítima de acidente aéreo no Pantanal

Esposa do piloto falou com exclusividade ao jornal O Pantaneiro

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A tragédia que abalou Aquidauana e o Pantanal nesta terça-feira (23), com a queda de um avião que vitimou quatro pessoas, ainda causa comoção. Entre os mortos está o piloto Marcelo Pereira de Barros, conhecido carinhosamente como Marcelo Pantaneiro, homem que transformou sua paixão pela região em estilo de vida e profissão.

Esposa de Marcelo, Daniela Costa Arruda, falou com emoção ao O Pantaneiro sobre a dor da perda repentina. Governanta da pousada Barranco Alto, ela lembra do companheiro como alguém que espalhava alegria por onde passava.

 “Marcelo foi uma pessoa incrível, incrível na minha vida, na vida dos meus filhos e na vida de tantas outras pessoas. Ele era alegre, divertido, fazia todos rirem. Muita gente me manda mensagens, todos tristes, porque ele levava alegria para as pessoas. Onde passava, deixava um legado e sempre será lembrado”, disse, emocionada.

Daniela contou que conheceu Marcelo quando trabalhava na pousada Aguapé. “Ele já fazia trabalhos lá e começamos a namorar. Depois veio o Gael, nosso filho, e mudamos para a cidade. Vivíamos bem, cada um no seu trabalho, mas sempre juntos. Ele também foi quem me apresentou à pousada Barranco Alto, onde hoje trabalho. Todos lá estão muito sentidos com essa perda, porque sabiam quem era o Marcelo.”

A notícia do acidente chegou de forma devastadora. Daniela relatou que pouco antes da queda chegou a ver o avião pilotado por ele sobrevoando. “Eu estava indo para o alojamento e até acenei para ele. Marcelo balançou as asas. Pouco depois, minha filha me ligou dizendo que o avião tinha caído. Eu achava que ia encontrá-lo machucado, mas vivo. Quando cheguei e soube que o avião tinha pegado fogo, vi que ali tinha acabado tudo. Acabaram os sonhos do Marcelo, os planos dele e das pessoas que estavam com ele.”

Além da esposa, a enteada Fabiane Arruda Cabreira, de 21 anos, também falou sobre o choque da perda. Trabalhando como copeira no Hotel Recanto Barra Mansa, foi uma das primeiras a receber a confirmação da tragédia.

“Foi um choque. No começo eu não queria acreditar, achei que, como ele já tinha sobrevivido a um acidente antes, dessa vez também estaria bem. Mas quando falaram que o avião tinha pegado fogo, eu sabia que não tinha sobrado nada”, contou.

Fabiane disse que tomou a difícil decisão de avisar a mãe, mesmo diante da recomendação inicial de não divulgar informações.

“Achei que era meu dever como filha. Liguei para ela por volta das 18h17, e minha mãe saiu correndo para o local ainda com esperança. Eu já não tinha mais.”

Criada no Pantanal, Fabiane afirma que o acidente deixou marcas profundas. “Eu sempre trabalhei em fazenda, mas depois disso não consigo me imaginar voltando. Foi um trauma muito grande perder alguém tão importante ali.”

Marcelo Pantaneiro era conhecido não apenas por sua paixão pela aviação, mas também pela forma simples e cativante de viver. Amigo de muitos, companheiro dedicado e pai presente, deixa uma lacuna irreparável para familiares e para toda a comunidade pantaneira, que hoje chora sua partida.

 

 

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