Pesquisadora morreu em acidente aéreo
Pesquisadora alemã dedicou 16 anos aos estudos sobre tamanduás na propriedade e deixou importante legado para a conservação da espécie
Publicado em 11/07/2026 às 10:56
A Fazenda Barranco Alto, localizada no Pantanal de Aquidauana, prestou uma emocionante homenagem à zoóloga e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff. Ela morreu na manhã do dia 03 de julho em um acidente com uma aeronave de pequeno porte, pouco após a decolagem, em Campo Grande, a caminho da propriedade rural.
Em uma publicação nas redes sociais, neste sábado (11), a fazenda relembrou a forte ligação construída entre Lydia e o Pantanal ao longo de mais de uma década de pesquisas.
"A paixão de Lydia por tamanduás a trouxe para trabalhar como pesquisadora na Fazenda Barranco Alto em 2009. Ela era uma 'mateira destemida'. Ao longo de 16 anos, coletou dados inéditos que trouxeram esclarecimentos importantes sobre a ecologia e o comportamento do tamanduá-bandeira", diz a postagem.

Além da produção científica, a alemã também era reconhecida pela facilidade em compartilhar conhecimento, conforme destacou a publicação da Fazenda Barranco Alto.
"Lydia era uma comunicadora nata. Por meio de apresentações, mídias sociais, podcasts e livros, ela transmitia ao mundo, com muito humor, suas descobertas pantaneiras".
Na semana passada, a Fazenda Barranco Alto já havia prestado uma homenagem através das redes sociais. "Lydia, o Pantanal te acolhe. Estamos juntos para sempre! Lydia Möcklinghoff. 1981-2026".

Trajetória
Reconhecida internacionalmente, Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista científica, escritora e divulgadora da conservação ambiental. Tornou-se uma das maiores especialistas mundiais no estudo do tamanduá-bandeira, realizando um dos primeiros monitoramentos de longa duração da espécie em seu habitat natural.
Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburg e desenvolvia doutorado em Zoologia na Universidade de Bonn, ambos na Alemanha, com pesquisas voltadas à conservação dos mamíferos do Pantanal. Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig e a unidade de pesquisa em bioacústica computacional CO.BRA.
Tragédia
A alemã havia saído do Rio de Janeiro no dia 02 de julho, passou a noite em Campo Grande e seguia justamente para a Fazenda Barranco Alto, onde daria continuidade às pesquisas de campo desenvolvidas na região pantaneira de Aquidauana.
A aeronave de pequeno porte caiu poucos instantes após a decolagem e foi localizada em uma área de mata, ainda nas proximidades do ponto de partida. O avião explodiu após atingir o solo. Além da pesquisadora, o piloto Henrique Martin também morreu no acidente.

Conforme o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave, de matrícula PT-WYQ, era um modelo Neiva EMB-810D, fabricado em 1983, com situação regular e CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) válido até junho de 2027.
As causas da queda seguem sob investigação do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Segundo relatório preliminar divulgado pelo Cenipa, o avião perdeu o controle durante a subida inicial e caiu logo em seguida. Porém, as circunstâncias do acidente serão esclarecidas apenas no relatório final.
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