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FÉ CATÓLICA

Homenagens marcam o centenário de morte do primeiro padre de Aquidauana

Julião Urquia foi o primeiro pároco da cidade estando presente desde a fundação de Aquidauana. Os 100 anos de sua morte foram marcados por grande visitação ao seu túmulo, localizado atrás do Cruzeiro do Cemitério Municipal

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Centenário do falecimento do primeiro padre de Aquidauana, Julião Urquia / O Pantaneiro

O Dia de Finados deste ano ganhou um significado especial para a história religiosa de Aquidauana. Além das tradicionais homenagens aos entes queridos que partiram, a data também foi marcada pela lembrança dos 100 anos de falecimento do padre Julião Urquia, primeiro vigário do município e uma das figuras importantes na formação da Igreja Católica na região.

Nascido em 1836 na Espanha, Padre Julião faleceu em 27 de outubro de 1926,  completando neste ano de 2026, um século de sua partida. Sua memória esteve em evidência durante a movimentação de fiéis no Cemitério Municipal, onde seu túmulo recebeu grande visitação.

Localizado atrás do Cruzeiro, em um dos pontos de destaque do cemitério, o túmulo representa muito mais do que um local de sepultamento: é um marco da história religiosa de Aquidauana e uma lembrança permanente de um sacerdote que dedicou sua vida à missão evangelizadora.

Durante a celebração da missa de Finados, o padre Celso Júnior realizou a tradicional Bênção do Cruzeiro, rito litúrgico que recorda o significado da cruz para a fé cristã. A cruz é o símbolo da vitória de Cristo sobre a morte e renova, entre os fiéis, a esperança na ressurreição e na vida eterna para todos os falecidos.

Neste ano tão significativo, a presença dos visitantes junto ao túmulo de padre Julião ganha um simbolismo ainda maior: cem anos depois de sua morte, sua história continua despertando respeito, reconhecimento e gratidão.

Um sacerdote que ajudou a construir a história de Aquidauana
A trajetória do padre Julião Urquia está diretamente ligada aos primeiros passos da evangelização católica em Mato Grosso do Sul.

Em 1878, quando era vigário de Miranda, celebrou a primeira missa em Campo Grande, na capela de Santo Antônio. Em 1892, participou da fundação da vila de Aquidauana e, posteriormente, assumiu como primeiro vigário da Freguesia do Alto Aquidauana.

Com zelo pastoral e dedicação à fé, também liderou a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, que trabalhou pela construção da capela dedicada àquela que se tornaria a padroeira de Aquidauana.

Construção Igreja Matriz de Aquidauana

Sua atuação foi fundamental em um período de organização e fortalecimento da comunidade católica, deixando registros importantes na história religiosa e na formação da identidade do município.

A participação na construção da Igreja
A história da construção da igreja em Aquidauana também revela a participação e a contribuição do padre Julião Urquia nesse importante capítulo da vida religiosa local.

O escritor Claudio Robba, em 1992, apresenta um registro histórico sobre esse processo, trazendo informações sobre a construção da igreja e a atuação do sacerdote, que serão destacadas nesta reportagem.

A PRIMEIRA IGREJA
Fundada Aquidauana, construídas as primeiras casas, seus moradores ergueram uma capela em frente à residência do coronel José Alves Ribeiro, derrubada pouco tempo depois por um tufão.
A 5 de julho de 1899 reuniram-se, na casa de Anacleto Maurício Rodrigues, os cidadãos Manuel Antônio de Barros, Augusto Ferreira Mascarenhas, Manuel dos Santos Cabral, José Alves Ribeiro, José Simões Pires, Francisco Alves Correia, Deocleciano Mascarenhas, Teodoro Rondon, João Batista da Fonseca Moraes e o padre Julião Urquia, com a finalidade de ser criada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Alto Aquidauana, que deveria completar a quantia de dinheiro necessária para a construção de uma nova capela, antes da festa da Padroeira (15 de agosto).
Em 28 de agosto de 1904, com a capela já pronta, houve nova reunião da Irmandade, relatando a ata que a reunião foi realizada com a finalidade de ser liberada, da herança de Anacleto Rodrigues, a importância que ele se havia comprometido a pagar dos custos da construção da capela, juntamente com José Alves Ribeiro e João de Almeida Castro.
Nessa data a capela já se erguia no local onde hoje se encontra construída a igreja matriz e seu primeiro vigário foi o padre Julião Urquia, que acompanhou a fundação de Aquidauana, sendo um dos subscritores da compra do terreno da vila, substituído posteriormente pelo padre Giardelli.
Padre Julião foi um verdadeiro pioneiro na região; em 1880, era vigário de Miranda, quando foi convidado para celebrar a missa de inauguração da capelinha mandada construir, entre 1878-1880, por José Antônio Pereira, fundador de Campo Grande.
Padre Julião Urquia morreu em Aquidauana e está sepultado no cemitério local, atrás do cruzeiro. Seu túmulo está abandonado.

Cem anos depois, sua história continua presente
Completar 100 anos do falecimento de padre Julião Urquia é uma oportunidade de reconhecer a importância de sua trajetória e preservar a memória de quem ajudou a construir os alicerces da fé católica em Aquidauana. O seu túmulo não está mais abandonado como destacou Claudio Robba. Atualmente está bem cuidado e a grande visitação ao seu túmulo neste Dia de Finados demonstra que, mesmo após um século de sua partida, seu nome permanece ligado à história da cidade e à memória de sua comunidade.

Fiéis visitam o Cruzeiro e o túmulo do primeiro vigário de Aquidauana, Padre Julião Urquia

Mais do que recordar uma data, o centenário representa o reconhecimento de um legado. Padre Julião Urquia partiu em 1926, mas sua contribuição para a Igreja e para Aquidauana permanece viva, atravessando gerações e sendo lembrada por aqueles que hoje visitam seu túmulo e reconhecem sua importância histórica e religiosa.

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