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Acidente aéreo a caminho de Aquidauana

"Lydia, o Pantanal te acolhe": Fazenda Barranco Alto homenageia zoóloga

Referência mundial no estudo do tamanduá-bandeira, Lydia Möcklinghoff seguia para o Pantanal de Aquidauana, onde daria continuidade às pesquisas de campo, quando morreu em um acidente aéreo que também vitimou o piloto Henrique Martins

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A Fazenda Barranco Alto, localizada no Pantanal de Aquidauana, prestou uma homenagem à zoóloga e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, que morreu na manhã desta sexta-feira (03) em um acidente com uma aeronave de pequeno porte pouco após a decolagem, em Campo Grande.

Em uma publicação singela, mas carregada de significado, a fazenda relembrou a ligação construída ao longo dos anos entre a pesquisadora e o bioma pantaneiro.

"Lydia, o Pantanal te acolhe.

Estamos juntos para sempre!

Lydia Möcklinghoff

1981-2026"

Zoóloga alemã morta em queda de avião pesquisava tamanduás no Pantanal4

Reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Lydia dedicou grande parte de sua carreira à pesquisa da fauna pantaneira. Desde o fim dos anos 2000, passava vários meses por ano em Mato Grosso do Sul, acompanhando o comportamento de mamíferos silvestres, especialmente no Pantanal.

Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista científica, escritora e divulgadora da conservação ambiental. Tornou-se uma das maiores especialistas do mundo no estudo do tamanduá-bandeira, sendo uma das primeiras pesquisadoras a realizar o monitoramento de longa duração da espécie em seu habitat natural.

Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburg e desenvolvia doutorado em Zoologia na Universidade de Bonn, com uma pesquisa voltada à conservação dos mamíferos do Pantanal. Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, na Alemanha, além da unidade de pesquisa em bioacústica computacional CO.BRA.

Seu trabalho buscava compreender o comportamento, o uso do habitat, as ameaças e as estratégias de conservação do tamanduá-bandeira, espécie considerada vulnerável à extinção. Além da atuação científica, Lydia era autora de livros sobre vida selvagem e palestrante, colaborando com documentários e produções audiovisuais voltadas à biodiversidade brasileira.

Segundo informações divulgadas após o acidente, a pesquisadora havia saído do Rio de Janeiro na quinta-feira (02), passou a noite em Campo Grande e seguia para a Fazenda Barranco Alto, no Pantanal de Aquidauana, onde daria continuidade às pesquisas de campo que desenvolvia na região.

A aeronave de pequeno porte caiu poucos instantes após a decolagem e foi localizada em uma área de mata, a cerca de 50 metros do ponto de partida. O avião explodiu após atingir o solo. Além de Lydia, o piloto Henrique Martin também morreu no acidente. As causas da queda serão investigadas pelas autoridades competentes.

De acordo com o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave de matrícula PT-WYQ era um modelo Neiva EMB-810D, fabricado em 1983, com situação regular e CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) válido até junho de 2027.

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