Especial Bodoquena
Curso gratuito da Prefeitura abriu novos horizontes para Priscila que hoje tem seu próprio trailer
Não é fácil chegar em uma cidade desconhecida e recomeçar a vida do zero, ainda mais sem emprego e com duas meninas para cuidar. É assim que começa a história de Priscila Garcia Soares, jovem de 29 anos, mas com o peso da responsabilidade de assumir interinamente o papel de chefe de família da sua casa. Ela superou inúmeras dificuldades, entretanto, nunca se abateu e foi buscar seu sonho de dar uma condição de vida melhor a si mesma e sobretudo, às suas filhas.
Priscila chegou a Bodoquena há 2 anos. Sem perspectivas de emprego, começou a vender sabão caseiro de porta em porta. “Eu procurei, mas não consegui trabalho. Foi quando eu comecei a correr atrás, não desisti. Sabia fazer sabão caseiro e fui vender de porta em porta. Com isso, conheci muitas pessoas e as oportunidades foram surgindo”, relembra.
A jovem empreendedora não se intimidou com os trabalhos de limpezas nas casas. Quem conhece seu serviço diz que Priscila é caprichosa em tudo o que faz. Com isso, obteve uma recomendação aqui, outra indicação de clientes ali e Priscila foi desbravando seu próprio caminho até o empreendedorismo.
Ponto de virada: as balas baianas
A jovem se emociona ao recordar quando tudo mudou, ao fazer um curso gratuito oferecido pela Prefeitura de Bodoquena. A capacitação era para aprender a produzir balas baianas. Ali, Priscila encontrou o seu futuro e a sua verdadeira vocação.
“Esse curso ensinava mulheres a fazer balas baianas e eu abracei mesmo, com força, essa oportunidade. Passei a vender minhas balas e entendi que esse era o verdadeiro dom que Deus tinha me dado”, diz com convicção.
Os dias se passavam e mais pessoas conheciam o trabalho de Priscila, que oferecia suas balas baianas, e ainda trufas, bolos de pote e outros produtos. Quem via sua garra e persistência, passou a motivá-la e ajudá-la a realizar seu sonho. “Consegui, com a glória de Deus, meu trailer cedido para que pudesse trabalhar. A estufa foi emprestada, o freezer eu comprei com a pessoa que me vendeu por um valor bem em conta e as cadeiras foram cedidas pela minha pastora da igreja. Entrei com a cara e a coragem”.
Com simplicidade, mas muita força de vontade, Priscila, antes desempregada, agora é dona do seu próprio trailer. Foto: Ricardo FloresExemplo para as filhas
Imagine ser mãe, chefe de família e ainda de quebra empreendedora. Mas Priscila não viu nisso impedimento algum para montar seu trailer. Hoje, as filhas a acompanham no trabalho e crescem vendo a mãe conseguir seu rendimento com dignidade.
“Quando não tenho com quem deixar as minhas filhas, elas ficam aqui comigo porque prefiro não as deixar sozinhas. Eu não tenho vergonha e ando com elas com orgulho. Elas entendem que estou trabalhando e que isso é o melhor pra elas. As meninas amam sair comigo.”
Apoio e solidariedade
Priscila não saiu da condição do desemprego sem a ajuda de pessoas que confiaram em seu trabalho. Foi na Igreja do Evangelho Quadrangular que também encontrou uma pessoa que seria crucial para o seu crescimento pessoal, profissional e espiritual: sua pastora. Ela afirma que com fé em Deus e o auxílio de sua comunidade, conseguiu encontrar o caminho das pedras para conquistar seu trailer.
“A minha pastora Natilde (Lima Duarte) me ajudou demais. Com minha fé em Deus e com a educação que minha mãe me deu eu fui atrás das oportunidades. Eu conquistei o meu espaço e eu digo para quem está passando por uma situação difícil: não desista! Deus tem o melhor para cada um de nós”, finalizou.
Priscila oferece em seu trailer, trufas, balas baianas, salgados, sucos, bolos de pote, e faz bolos de aniversário sob encomenda. O telefone de contato para quem quiser provar suas delícias é o 9 9972-7925.
Dados sobre empreendedorismo feminino
Assim como Priscila, milhares de mulheres tiveram que arregaçar as mangas em busca de rendimento. Apesar de Priscila ter empreendido por necessidade, cresceu o número de mulheres que hoje empreendem por oportunidades de começar um novo negócio. A seguir, os dados divulgados pela Rede Mulher Empreendedora sobre o perfil de mulheres empreendedoras em 2019:
MATURIDADE DO NEGÓCIO – 3 em cada 10 negócios representam o sustento único da família
SETOR DE ATUAÇÃO: a maior a concentração está em Serviços (69%), seguido de comércio (25%) e Terceiro Setor.
FORMALIDADE: 32% são MEIs, 23% microempresárias e 19% ainda está na informalidade
FATURAMENTO: 46% fatura até 5 mil reais e apenas 4% faturam acima de 50 mil reais
SOCIEDADE: 60% não tem sócios e 37% empregam apenas mulheres
CAPITAL INICIAL: 37% iniciaram seu empreendimento sem capital inicial e também não procuram empréstimos bancários ou de outras fontes
OTIMISMO: apesar dos desafios, 86% das mulheres acreditam que 2019 será um ano melhor para os negócios
PONTO DE ATENÇÃO
FINANÇAS: 65% misturam a conta da empresa com conta pessoal e 45% não solicitam empréstimo bancário com medo de dívidas
PLANEJAMENTO: 86% das empreendedoras não se planejam antes de iniciar um negócio
Dados: RME
*Com informações de Ricardo Flores.
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