Choveu mais nas regiões Centro e Sul do Estado, entre 80 e 200 mm
Karina Aguilar
Publicado em 05/09/2022 às 17:26
Atualizado em 10/09/2026 às 14:18
O mês de agosto deste ano encerrou com maior registro de chuvas dos últimos 30 anos, conforme o segundo boletim meteorológico elaborado pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado), mesmo em meio a um período de seca que já dura mais de três anos em Mato Grosso do Sul.
O balanço indica que choveu mais nas regiões Centro e Sul do Estado, entre 80 e 200 milímetros, com destaque para Naviraí, onde a precipitação pluviométrica foi de 200 a 240 mm no mês. Campo Grande teve chuvas muito acima da média histórica, de 31,4 mm, registrando acumulado mensal de 239,4 mm e uma variação de 662,4% acima da média climatológica.
Municípios das regiões do Pantanal, Sudoeste, Norte e Bolsão, as chuvas também ficaram acima da média, entretanto, o acumulado foi menor na comparação com o restante do Estado, entre 0 e 80 mm. Dentre os municípios monitorados, Paranaíba foi o único que teve chuvas abaixo da média histórica em agosto de 2022 onde, por exemplo, choveu 7,6 mm no mês, 43,28% menos do que a média mensal (13,4 mm).
A tradicional estiagem registrada em MS nos meses de agosto é típico da época do ano, de julho e agosto, conforme os dados históricos, período em que os índices de chuva ficam baixos. Em anos de atuação do fenômeno La Ninã, condição climática que favorece a ocorrência de chuvas abaixo da média, principalmente na região Sul do Estado, esta situação de chuvas abaixo da média ou secas tendem a se intensificar.
Entretanto, entre os dias 7 e 10 de agosto, e também entre 16 e 18, a passagem de frentes frias, a mudança no fluxo dos ventos e o transporte de umidade favoreceram a ocorrência das fortes chuvas no Estado.
Os resultados analisados são das estações meteorológicas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), além de pluviômetros automáticos do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Boca da Onça seca
Embora os bons índices, a chuva atípica não foi suficiente para amenizar os efeitos da estiagem de longo prazo, que fez a maior cachoeira do Estado, a Boca da Onça, com 156 metros em Bodoquena, ficar totalmente sem água.
“A longo prazo nos encontramos em situação de seca, há mais de três anos. 2019, 2020 e 2021 foram muito secos (chuvas abaixo da média histórica) e 2022 tende a fechar o ano abaixo da média anual de chuvas. Então, mesmo que o mês de agosto registre chuvas acima da média, não é suficiente para recuperar uma seca a longo prazo”, explica a meteorologista do Cemtec, Valesca Fernandes.
Mesmo acima da média, as chuvas de agosto não foram suficientes para encher os rios e minimizar os efeitos da estiagem. Em julho de 2022, por exemplo, choveu aproximadamente 75% menos do que média histórica em grande parte dos municípios sul-mato-grossenses. Ainda no mês de julho de 2022, a maioria das regiões do estado apresentaram 27 a 31 dias com chuvas abaixo de 1 mm, ou seja, uma condição praticamente sem chuvas durante todo o mês de julho.
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