Pantanal de MS
A parceria com a UEMS tem sido fundamental no assunto bovino Pantaneiro
De acordo com o sr. Mario Haberfeld, fundador e presidente da Associação Onçafari, o boi Pantaneiro tem sido um aliado interessante na proteção do Pantanal, especialmente em função das suas características comportamentais. O fato dos animais serem mais rústicos e enfrentarem as onças, quando estas se aproximam, faz com que a taxa de predação do gado Pantaneiro seja notavelmente menor que a de outras raças criadas nesse Bioma.
O resultado direto disso, é que donos de rebanhos pantaneiros perdem menos cabeças de gado, sendo em algumas situações até mesmo observada a ausência de predação, portanto, têm menor prejuízo econômico e deixam de promover a caça ilegal das onças.
É necessário lembrar que a caça ilegal é um dos principais motivos do desaparecimento (extinção) das onças, e a eliminação dessa variável de pressão ajuda a garantir a sobrevivência das populações desses felinos. E como já está bem evidenciado pela ciência, territórios usados por onças devem ser compreendidos como áreas com alta qualidade ambiental e abundância de recursos naturais. Em outras palavras, onde há onça há meio ambiente preservado.
Além disso, o boi Pantaneiro também desperta o interesse de turistas, e neste sentido tem auxiliado a fortalecer o setor na região (MS e MT). Para organizações como a Onçafari, que tem no ecoturismo a sua principal fonte de receita, inclusive para cumprir com seus objetivos de conservação, essa raça tem sido um importante aliado.
Em relação a parcerias profícuas, o sr. João Almeida, diretor de operações da Onçafari, destaca que a UEMS tem sido fundamental no assunto bovino Pantaneiro, visto que a Universidade possui todo o conhecimento científico e as principais lideranças acadêmicas no assunto, além de possuir rebanho e genética capazes de viabilizar projetos de conservação e reintrodução da raça pantaneira.
No caso das pesquisas com essa raça, que vem sendo realizadas em áreas administradas pela Associação Onçafari, a principal referência é o prof. dr. Marcus Vinicius, por meio do Núcleo de Conservação de Bovinos Pantaneiros de Aquidauana (NUBOPAN) da UEMS, com o apoio do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Quanto as perspectivas futuras dos bovinos Pantaneiros criados, nos estados de MT e MS, pela Onçafari o sr. Mario Haberfeld ressalta a importância da manutenção de rebanhos, que serão usados com a finalidade turística, para pesquisas e conservação da raça, e não com o propósito comercial e de escala produtiva.
Nossa intenção é gerar receita a partir do ecoturismo, reinvestir em mais ações de conservação e também produzir conhecimento sobre o comportamento da espécie no contexto das fazendas e do conflito humano-vida selvagem, com o objetivo maior de reduzir as taxas de predação dos rebanhos bovinos, e como consequência direta diminuir a taxa de caça ilegal de onças, protegendo a espécie e o Pantanal.
Talvez também seja possível mostrar que o eventual uso do boi Pantaneiro, com a finalidade comercial, funcione como uma alternativa que alie a produção pecuária e a conservação da biodiversidade desse ecossistema tão importante, que é o Pantanal.
Pantanal
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