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Sucesso total

Novela destacou grande preocupação com o Bioma Pantanal

A Remake é considerada uma das tramas de maiores sucessos da Rede Globo

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A Remake da Novela Pantanal é considerada o maior sucesso de audiência de toda a história da emissora Rede Globo de televisão.

A história também foi exibida em países da Europa e da América do Sul.

Além das clássicas tramas envolvendo estórias de amor, dramas familiares e conflitos sociais, houve também uma constante preocupação de se enaltecer as questões ambientais.

As demandas envolvendo a conservação do Bioma Pantanal, bem como as principais tecnologias que estão disponíveis para se utilizar adequadamente os recursos ambientais, foram muito enfatizados ao longo dos capítulos.

Nesse contexto, entra o boi Pantaneiro, também chamado de marruá.

Segundo o professor Marcus Vinicius, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o bovino Pantaneiro é uma raça genuinamente brasileira, autóctone do Bioma Pantanal, e altamente especializada com as condições climáticas e aos predadores, como as onças.

Sua origem remonta os primórdios da chegada dos europeus no Pantanal, sendo os primeiros animais trazidos pelos colonizadores espanhóis e portugueses, nos séculos XVI e XVII, respectivamente.

Segundo o professor, muitos animais escaparam e acabaram povoando livremente a planície pantaneira, formando um rebanho de milhões de cabeças. Uma raça única, que preservou de seus ancestrais europeus, os genes da maciez da carne, mas que prosperou segundo os princípios evolutivos de Charles Darwin, em termos de adaptabilidade as condições ambientais.

Com o fim do Tratado de Tordesilhas no século XVIII, a Coroa Portuguesa visando assegurar domínio no território efetuou a demarcação e cedência de vultuosas áreas rurais, sendo que a presença do gado Pantaneiro levou naturalmente na formação de grandes fazendas alicerçadas num sistema de pecuária extensiva. Assim, o gado selvagem “marruá” foi durante séculos capturado e abatido, sendo, portanto, a economia fundamentada no comércio da carne, especialmente na forma de charque, bem como de couro e chifres.

Com esse cenário, se desenrolou a primeira versão da novela Pantanal, onde se mostrou esse processo de captura do boi marruá, um animal sem marca, cujo dono era a pessoa que conseguia domá-lo.

Romanceou-se, portanto, como ocorreu a relação do peão Joventino e de seu filho José Leôncio com os bovinos Pantaneiros, bem com sua consequente prosperidade econômica na pecuária extrativista. Sendo, desta forma, o gado marruá o figurante principal da novela, sendo abordado do primeiro ao último capítulo, de maneira que a trama cinematográfica dos personagens ocorreu simultaneamente com o manejo diário do gado na fazenda.

Após 32 anos da primeira versão da novela, com a chegada da energia elétrica e internet, muita coisa mudou, menos a beleza soberana do Pantanal, com sua magia e encanto das paisagens e a cultura e tradições do seu povo.

O que poucos sabem é a grande mudança que ocorreu com o gado Pantaneiro, estando a raça atualmente em vias de ser extinta, com pouco mais de mil cabeças, somando-se os animais criados nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A abordagem feita por Bruno Luperi foi bastante arrojada e inspirada no trabalho de salvamento da raça que está sendo efetuado no Núcleo de Conservação de Bovinos Pantaneiros (NUBOPAN), implantado no Curso de Zootecnia da UEMS, em Aquidauana.

Parceria

Segundo o Gerente da Unidade Universitária de Aquidauana, prof. Elói Panachuki, o papel da UEMS, em especial dos professores e alunos, frente aos trabalhos desenvolvidos com o bovino Pantaneiro tem sido fundamental para a geração de conhecimento científico sobre as características da raça e para a divulgação das informações junto a sociedade.

Ele destaca que é nítido o envolvimento da comunidade acadêmica, e em especial dos alunos do Curso de Zootecnia na execução das pesquisas e nos trabalhos de campo com os animais.

A Universidade por meio de seus professores, funcionários e alunos vem auxiliando de maneira impar no fomento da raça, quebrando paradigmas e mostrando as qualidades do bovino Pantaneiro.

A parceria apresenta um aumento do número de produtores que criam animais puros, bem como nos cruzamentos industriais com outros grupos genéticos, disponibilizando alternativas sustentáveis para a pecuária moderna.

Em relação ao gado Pantaneiro, é visível o interesse de diversos grupos da sociedade, havendo continuamente pessoas que visitam a Universidade para conhecer o trabalho que vem sendo feito com os animais.

Para a Coordenadora do Curso de Zootecnia da UEMS, dra Tânia Mara, o trabalho desenvolvido pelos professores no Nubopan, em especial dos professores Marcus Vinicius, Carolina Barbosa e Fabiana Sterza, tem sido fantástico, sendo a equipe formada por profissionais multidisciplinares, que desenvolvem projetos tanto de pesquisas como de extensão universitária.

Segundo  Tânia, as vantagens de se criar o bovino Pantaneiro, está diretamente relacionada ao intenso processo de seleção natural, centenas de anos, que tornou o bovino Pantaneiro adaptado às condições peculiares do Bioma Pantanal. Dentre as características adaptativas destacam-se os elevados índices de natalidade e baixa mortalidade a desmama; a tolerância às temperaturas ambientais extremamente elevadas; a resistência aos carrapatos; a capacidade de proteger a si próprio e às suas crias da predação das onças; a habilidade de pastorear uma ampla variedade de forrageiras nativas, incluindo as gramíneas submersas na água; e a resistência dos cascos frente às condições intermitentes de seca e alagamento.
 

 

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