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Parceria com UEMS ajudou a desenvolver e atualizar novela Pantanal

Bruno Luperi disse que a parceria ajudou a conhecer mais o boi pantaneiro

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Com o fim da novela Pantanal, o diretor da trama, Bruno Luperi, afirma que contou com apoio da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) para conhecer mais sobre o Boi Pantaneiro, chamado de "boi marruá", no remake.

A história foi criada e escrita por Benedito Ruy Barbosa, avô de Bruno.

"Ao longo dos 30 anos que passaram da primeira versão para essa adaptação, muita coisa mudou, principalmente no campo acadêmico e da ciência. Através do Felipe Pazim e da Daiane Andrade, eu entrei em contato com o trabalho do professor Marcos Vinicius, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, em parceria com Thomaz Orton".

Segundo Bruno, foi através dessa porteira que abriram ali, que ele pode conhecer muito mais sobre a raça. "Raça ao qual meu avô designava como Marruás. Eu pude aprender um pouco mais com o trabalho de campo", disse Bruno.

Ele destaca que esse contato foi essencial para desenvolver novos parâmetros na trama.

"Esse diálogo aberto que tivemos nesses últimos dois anos de concepção da novela me ajudou muito a estabelecer novos parâmetros para essa adaptação. Ali está a transição do gado nativo para o nelore, bem retratado para os dias de hoje. Era de suma importância para a novela que a relação entre os Leôncios. Foi a raça que permitiu criação própria e que a família tivesse êxito para lidar com pecuária no Pantanal. Ao longo da novela e da dramaturgia, explicamos de maneira muito clara, que os Leôncios aprenderam com o boi pantaneiro a lidar com o Pantanal. Foi através da humildade do velho Joventino em olhar esse gado, lidar com ele, perceber o comportamento dele nesse bioma tão desafiador, que existe o sucesso dos Leôncios", disse Bruno.

Luperi ressalta ainda, que a novela abordou diversos assuntos, com foco na relação do homem com a natureza.

"Por se tratar da saga dos Leôncios no Patanal, é natural que esteja na relação desse s peões com o bonvino pantaneiro o grande alicerce da discussão ambiental da novela. Ao longo da trama ela transborda em outros assuntos, eu diria que passa um pouco a pecuária e agricultura como um todo e fala de uma discussão mais ampla que é a relação do homem com a natureza, meio ambiente e outros seres. 

A proposta da novela é promover discussão, que leve o público a refletir sobre  a relação do homem com a natureza, em busca de uma forma mais justa de se viver e menos exploratória. Está no meio da discussão discutir os maus-tratos animais, evoluir nesses assuntos", diz o diretor.

"Os Leôncios são pecuaristas que fizeram sucesso na região, mas não esqueceram de reverenciar a raça. Por contingência de mercado, por carinho, tinham na fazenda, o lote de bovino pantaneiro, que criam com carinho, com a certeza de que tem um débito muito grande com a raça. Os Leôncios são o que são, graças aos marruás. Criaram um patrimônio genético muito forte, consegui costurar uma trama para Marcelo, filho do Tenório, que chega ali e encontra uma possibilidade de construir uma atividade econômica nova", pontua Bruno.

Lição de vida

Bruno afirma que acredita que o público que acompanhou Pantanal deve se interessar mais pelo bioma de Mato Grosso do Sul.

"Eu gosto de pensar que as pessoas que assistirem a novela vão se interessar mais pela raça pantaneira, pela Pantanal, pelos animais que ali habitam e levar para si uma discussão importante sobre o lugar do ser humano nessa cadeira produtiva e porque não buscar reconexão com a natureza", diz o diretor.

Ele garante que todo o desenvolvimento da remake ocorreu em cima de pesquisas e vivência em campo.

"Todo trabalho que faço é com base em muita pesquisa, entrevista e trabalho de campo. Busco transmitir ao fim de uma novela tudo que aprendi ao longo do processo de escrita".

Conforme o diretor, se tratando de Pantanal, o gado pantaneiro está 400 anos à frente do que qualquer outra raça do ponto de vista genético e comportamental. "Gostaria que as pessoas compreendessem o valor que isso tem. Essa raça é ponto importante quando falamos e discutimos sobre o futuro e preservação do Pantanal. Eu gostaria que esse ponto fosse levado a diante, que a pessoas conseguissem compreender o valor que isso tem. Se a gente não mudar nosso ponto de vista, vamos tentar adaptar o pantanal a pecuária, não a pecuária ao pantanal. Transformaremos Pantanal que é paraíso, em algo que perde sua beleza, diversidade, sua força e riqueza. Essa raça está inteiramente ligada ao futuro do pantanal", finaliza Bruno.

 

 

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