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Gabriel Novis Neves

Bobagem

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Tentaram convencer a nossa população que Cuiabá estava pronta para a Copa. Isto foi, no mínimo, uma grande falta de respeito. Foi subestimar a capacidade do povo de observar e avaliar tudo que acontecia ao seu redor. 
 
O programa de execução das obras da Copa foi um fiasco. A Arena Pantanal ficou pronta aos trancos e barrancos, pois sem ela não haveria jogo em Cuiabá. Mas, o seu entorno está uma calamidade. 
 
Dizem os responsáveis por essas obras intermináveis e descontroladas, que todas as obras iniciadas serão finalizadas. O povo fica meio ressabiado, não sem razão. E só Deus sabe quando elas ficarão prontas. 
 
A obra do VLT, a mais cara da mobilidade urbana ? um bilhão e quinhentos milhões de reais ? está somente 50% concluída. Até os trens já foram comprados, e correm grande risco de apodrecerem no depósito se a obra não for rapidamente entregue à população. 
 
Diante deste cenário de puro caos, os irresponsáveis pela conclusão das obras ainda tiveram o atrevimento de pedir aos cuiabanos para mostrarem toda a sua hospitalidade para com os turistas.
 
Os cuiabanos são hospitaleiros, sim. Mas estão cansados de ser lembrados somente para amenizar problemas causados por seus governantes. Eles que ponham suas caras à tapa! 
 
Se a nossa conhecida hospitalidade sensibilizasse as nossas autoridades, teriam concluído o Hospital Central, paralisado há mais de vinte anos. Teriam concluído o novo Hospital Universitário na estrada de Santo Antônio, cujo projeto de quatro anos nem saiu da prancheta. Teriam colocado em funcionamento as UPAS e os PSFs em números suficientes para atender a população. Teriam concluído o novo Pronto Socorro e o antigo (PSMC) reformado para a Copa. 
 
O centro de diálise do HUJM já estaria atendendo a população e o setor de transplante de órgãos em plena atividade. 
 
O número de leitos hospitalares não teria diminuído, assim como as equipes de profissionais de saúde, completas e trabalhando motivadas. 
 
Medicamentos da Farmácia de Alto Custo jamais faltariam. 
 
Nosso ensino seria um dos melhores do Brasil. Segurança e transportes não seriam problemas e a operação Ararath não nos visitaria, ferindo mortalmente nossa imagem de gente séria e hospitaleira. 
 
A corrupção estaria banida do nosso Estado e a impunidade aos poderosos não existiria. 
 
?Os voluntários da FIFA? tiveram muita dificuldade  para explicar aos turistas porque nenhuma seleção, mesmo sendo Cuiabá o local de quatro jogos da Copa, escolheu nossa hospitaleira capital para se hospedar e se adaptar ao nosso clima. 
 
Nossa cidade está toda esburacada, violenta, sem equipamentos sociais para atender a demanda do evento internacional. Está parecendo uma praça de guerra.
 
O povo cuiabano sempre foi hospitaleiro, mas, não o suficiente para seduzir turistas a conhecer as nossas belezas naturais com esse cenário desolador. 
 
Também não ocultarão a dilapidação do nosso patrimônio histórico e cultural. 
 
Afirmações levianas como estas nos fazem perder a pouca credibilidade que construímos junto aos estrangeiros. 
 
O momento era mais para calar, ao invés de falar bobagens. 
 
 
Gabriel Novis Neves

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