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Gabriel Novis Neves

The Day After

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Após o segundo turno de uma tumultuada eleição presidencial, começa a se configurar a dificuldade de governar para todos os brasileiros, e não somente para um terço dos brasileiros vitoriosos. 
 
Afinal, separando os 32% de votos nulos e abstenções daqueles que não se viam representados por nenhum dos candidatos, o terço  vencedor votou em função das prerrogativas sociais auferidas durante os doze anos do governo anterior. 
 
Era de se esperar que pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade e detentoras de benefícios sociais de vulto, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o Mais Médicos, optassem pela continuação desse sistema governamental.  
 
Até aí, nenhuma surpresa num país com imensos bolsões de pobreza. 
 
A rigor, nenhum dos candidatos apresentava um plano efetivo de mudanças, limitando-se, em sua maioria, a trocar ofensas entre si. 
 
A grande diferença seria na condução da política econômica, o que, na verdade, poderia trazer um pouco mais de credibilidade ao país, já que o modelo atual não vem tendo o resultado esperado. 
 
Diante dos discursos vagos sobre mudanças, sem realmente condições palpáveis para fazê-las, uma vez que, pelo menos, um terço do novo Congresso eleito se apresenta sob suspeita judicial, resta-nos a desesperança de novos avanços em prol da população - as chamadas reformas de base, há anos postergadas por todos os governos. 
 
O governo eleito, cônscio da sua fragilidade, limita-se apenas a acenar com grandes mudanças sem, no entanto, dizer como fazê-las. 
 
Diante das inúmeras denúncias de corrupção a serem confirmadas  por delação premiada de alguns réus, resta-nos torcer para que os culpados sejam punidos e que possa ocorrer, ao menos, algum tipo de governabilidade. 
 
Todos os governantes sabem que enquanto estiver razoavelmente satisfeita a carneirada, nenhum tipo de ameaça os afligirá. 
 
Os mais abastados estão sempre muito bem em qualquer tipo de sistema, sempre com seus jatinhos prontos ao menor sinal de qualquer turbulência no país. 
 
Já a classe média, assoberbada pelos altos impostos e por alto grau de inadimplência, é o bode expiatório de todos os desacertos e incompetência  de governos equivocados. 
 
Quando ela vai às ruas em manifestações pacíficas, como aconteceu em junho de 2013, logo é contida pela truculência policial e por arruaceiros a mando de não se sabe quem. 
Imediatamente é sufocada, e seus anseios ficam pertencendo à história. 
 
Dessa forma, abandonada e desencantada, incapaz de cumprir com os seus compromissos, segue desarvorada e pasma à espera de novos horizontes. 
 
Nesse ?Day After?, e justo nesse momento em que o governo deve estar atento a este estado de coisas, clamamos por um pouco de bom senso para que o país possa ser tirado dessa apatia generalizada. 
 
A esperança é o que move as pessoas e sem ela dificilmente sairemos desse atoleiro em que nos encontramos, na rabada do desenvolvimento e do crescimento entre as nações do mundo. 
 
 
Gabriel Novis Neves

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