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Gabriel Novis Neves

Imitar

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Um antigo ditado popular que ouvi muito na minha infância era responder com um ?não sei, não vi, não ouvi, não levo ninguém para a cadeia?. 
 
Quando algum segredo era revelado a uma pessoa de extrema confiança, logo os curiosos e bisbilhoteiros da vida alheia procuravam o detentor da confissão da verdade para saber detalhes sobre o acontecido. 
 
A resposta era invariavelmente aquelas palavras que se consagraram em ditado popular. 
Durante muito tempo isso parecia perdido no tempo. Para minha surpresa não é que ressurgiu  com toda força nos tempos atuais? 
 
Começou no escândalo do ?mensalão? e agora no descalabro do ?lava-jato?. 
 
Milhões de reais foram desviados dos cofres públicos em uma complexa operação envolvendo agentes públicos, políticos e empresários de firmas de grande porte. 
 
Quando descoberta a falcatrua, ninguém viu, ouviu dizer e nada sabe.  
 
Os acusados juram de pés juntos inocência. O certo é que o dinheiro sumiu das outrora respeitadas estatais e as mesmas entraram em estado de alerta máximo para não fecharem as suas portas. 
 
Empresários poderosos presos aprenderam a lição de não esconder a verdade para a justiça, com as penas impostas aos operadores do mensalão. 
 
Resolveram, então, pedir a delação premiada, que consiste em informar com precisão todos os meandros utilizados para a ação criminosa. 
 
Se corretos, ajudando a justiça a desvendar as fraudes, terão suas condenações suavizadas. 
Tudo que é confessado à Justiça Federal em segredo, de repente, como num passe de mágica, é divulgado pela grande imprensa. São relatos impressionantes sobre o profissionalismo na arte de roubar. 
 
São executadas manobras contábeis, bancárias e jurídicas complicadíssimas para esconder o produto do assalto aos cofres públicos, transformando dinheiro podre em bom. É a famosa lavagem, tão em moda atualmente. 
 
Como o crime nunca é perfeito, aliado ao uso de tecnologias de ponta pelos investigadores, foi possível desvendar  todo o mistério dos crimes contra o Tesouro Nacional que abalaram e continuam abalando este país. 
 
Agora, a luta é jurídica para encerrar o rumoroso caso apelidado de ?lava-jato?, corrupção jamais vista em nossa nação. 
 
Mais uma vez é o presente imitando com perfeição o passado no seu ditado popular.

 
Gabriel Novis Neves

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