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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Francisco Carvalho

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      Em 2012 ele apareceu na televisão vivendo o rabugento (e divertido) Seu Galdino na novela "Salve Jorge", de Glória Perez. Era o dono de uma pequena loja no Morro do Alemão, um tanto moralista e implicante. No mesmo ano ele deu vida à personagem Bodelér Sampaio, em "O brado retumbante", de Euclydes Marinho. Eu tive o privilégio de conhecê-lo e conviver ao seu lado em 2005 e desde então compartilhamos mais do que amizade, o interesse comum pelo Budismo.
 
Seu nome artístico é Francisco Carvalho, ator nascido no Piauí e presente na televisão brasileira há mais de três décadas. Ele viveu o Nijienigi ("padre" ou pajé, na língua Kadiwéu), da novela "Alma Gêmea" (2005-2006), exibida pela Rede Globo de Televisão no horário das 18 horas. Fui designado para prepará-lo a viver como um xamã indígena e lembro-me dos nossos encontros no Projac, marcados pela curiosidade de ambas as partes. Ele queria muito conhecer um pouco das culturas indígenas e era a primeira vez que interpretaria um índio.
 
Eu tinha um interesse particular em conhecer o ator que vira em "Espelho d? água: uma viagem no Rio São Francisco", filme de 2004 dirigido por Marcus Vinícius Cesar, e pelo qual o ator recebera o prêmio de melhor coadjuvante no Cine PE - Festival do Audiovisual. De nossas longas conversas sobre práticas budistas e xamanismo indígena nasceu uma relação de respeito e bem querer, reforçada pela forte ligação que Francisco Carvalho tem com o teatro, que eu tanto gosto.
 
Fui vê-lo em cena no espetáculo "O ilha do tesouro", que tinha uma proposta de participação interativa e instalações de aventura no entorno do Teatro do Centro da Terra, em São Paulo. Naquele dia (mágico, por sinal!) voltei a ser criança em um espetáculo itinerante que procurava integrar adultos e crianças em jogos lúdicos. Foi uma experiência real e emocionante que ofereceu ao imaginário dos (não tão) espectadores uma vivência única e inesquecível.
 
Devo a Francisco Carvalho o convite para conhecer um pouco mais desse trabalho teatral e ao seu lado também vivi momentos intensos de preparação para a novela que ficaram guardados com carinho em minhas lembranças. Em Carrancas (MG), por exemplo, onde havia sido montada a "casa do pajé", ensaiamos exaustivamente a postura, a linguagem e o olhar do velho e sábio Nijienigi (pronuncia-se "nidjiênigui"), importante personagem do início de "Alma Gêmea", uma espécie de guia espiritual dos índios da aldeia de Serena, vivida por Priscila Fantin. Conseguimos, inclusive, reproduzir um ritual de cura por meio da personagem, mostrando ao Brasil a riqueza das diversas manifestações religiosas e cosmológicas dos indígenas que viveram/ vivem no país.
 
Este texto é dedicado ao meu amigo Francisco Carvalho e a todos os atores e atrizes que mesmo em papéis secundários (ou coadjuvantes), seja no teatro, cinema ou televisão, nos encantam pelo domínio de um ofício que exige de cada um deles dar vida a tantas personalidades diferentes em "histórias de admirar" que nos fazem perceber a multifacetada alma humana.
 
 
Giovani José da Silva

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