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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Ana Lúcia Torre

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      Esta semana ela se despede temporariamente da televisão, no papel da personagem Frau Gertrude, em "Joia Rara", telenovela de Thelma Guedes e Duca Rachid, exibida pela Rede Globo de Televisão no início da noite. Originalmente, o papel havia sido pensado para a atriz Zezé Polessa, que não pode participar do elenco da novela. Gertrude é uma mulher perversa e superprotetora do filho Manfred (vivido por Carmo Dalla Vecchia), semelhante à inesquecível Débora, mãe da vilã Cristina (interpretada por Flávia Alessandra) em "Alma Gêmea" (2005-2006).
 
Foi por ocasião das gravações de "Alma Gêmea" que nos conhecemos e, desde então, nos tornamos amigos. Seu nome artístico, Ana Lúcia Torre, revela a ascendência italiana dessa incrível atriz brasileira, nascida em São Paulo (SP). Embora não fizesse parte do núcleo indígena de "Alma Gêmea", lembro-me que a atriz estava sempre presente e atenta aos workshops que eu ministrava ao elenco no Projac. Volta e meia nos sentávamos juntos para conversar, trocar ideias e ela perguntava sobre os índios no Brasil e se admirava com minhas histórias e "causos" vividos dentro e fora das aldeias.
 
Depois de "Alma Gêmea", eu a reencontrei por diversas vezes e foi muito prazeroso revê-la, mais recentemente, na tela da TV em "Insensato Coração", telenovela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares (2011), em um papel pelo qual foi indicada a prêmios pela simpática e atrevida Tia Neném e em "Amor Eterno Amor", de Elizabeth Jhin (2012), no papel de Verbena Borges, a milionária que busca por um filho desaparecido por trinta anos.
 
Ana Lúcia Torre é uma atriz de televisão ("Dona Xepa", "O Cravo e a Rosa", "Caras e Bocas"), cinema ("Quanto vale ou é por quilo?", "Nosso lar") e teatro ("Eles não usam black-tie", "Seria cômico se não fosse sério"), com uma carreira de mais de três décadas, no Brasil e na Europa. Que prazer foi vê-la em cena em "Como se tornar uma super mãe em 10 lições", no Teatro Gazeta em São Paulo, em 2012, contracenando com Danton Mello e Ary França, dentre outros! Ao final do espetáculo eu a esperei na saída, para lhe dar um abraço afetuoso e lhe dizer como eu a admiro pelo talento e pelo amor à profissão.
 
Apesar de já ter dado vida a inúmeras vilãs na televisão, a atriz é uma pessoa doce, de fala calma e apenas aparentemente frágil. Quando é vista em cena, ela se entrega completamente às impressões da personagem e oferece ao público o que somente uma grande atriz pode compartilhar de melhor com aqueles que a acompanham: as emoções e os sentimentos que espelham a alma humana. A esta atriz e a tantas outras da mesma geração, eu dedico o texto desta semana na coluna "Histórias de admirar", lembrando o quanto é difícil e sublime a arte de representar tantas personagens diferentes ao longo de uma vida.
 
 
Giovani José da Silva

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