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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Rubens Corrêa

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      Eu o vi apenas uma vez atuando no teatro, mas foi o suficiente para eu jamais esquecer esse ator nascido em Aquidauana, então Mato Grosso, nos anos 1930. Já o conhecia das telenovelas ("Partido Alto" e "Mandala", ambas na Rede Globo de Televisão e "Kananga do Japão" e "Pantanal", na extinta Rede Manchete) e sabia que era um ator de cinema também ("Perdoa-me por me traíres" e "Bonitinha, mas ordinária", dentre outros filmes), mas vê-lo no palco do anfiteatro do antigo CEUA, hoje CPAQ (UFMS), interpretando um monólogo por ocasião do centenário da fundação da cidade foi uma experiência incrível!
 
Naquela noite de agosto de 1992, Rubens Corrêa relembrou a infância em Aquidauana, as brincadeiras com os amigos e as idas ao antigo cinema, além das personagens que povoaram os seus tempos de meninice ("seo" Fanaia, por exemplo), encantando a todos nós que tivemos o privilégio de vê-lo em uma apresentação única.
 
Assistido pelo ator Ivan de Albuquerque, sócio em uma companhia de teatro que depois se tornaria o Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, o franzino Corrêa (cujo nome completo era Rubens Alves Corrêa), de aparência frágil, agigantou-se no palco e, sozinho, dominou a cena com um texto pontuado por reminiscências e marcado pela nostalgia. Por mais de uma hora fiquei "hipnotizado" com aquela presença: o ator sentado em uma cadeira ao centro do palco, uma iluminação simples e direta sobre ele, a modulação da voz que envolvia a todos, com breves pausas. A emoção tomou conta do anfiteatro enquanto Rubens Corrêa brindava a plateia com um jeito muito particular de expressar o amor que nutria pela cidade onde nascera e pelas saudades de lugares e pessoas que naquela época já haviam desaparecido, deixando apenas lembranças, vestígios de memória.
 
Espetáculo de alta carga dramática, o monólogo mostrava todo o potencial do ator, que nos levou a uma viagem ao passado aquidauanense, nos "pegando pelas mãos" e nos fazendo "passear" por tempos pretéritos. Tal privilégio eu pude dividir com minha mãe e com meus professores e colegas do Curso de História do antigo CEUA que lá se fizeram presentes para prestigiar o artista nativo. Lembro-me de ter me emocionado bastante ao ouvir as histórias contadas e de ter chorado pela emoção provocada. Recordo-me, também, de ter saído do anfiteatro naquela noite muito agradecido pela oportunidade de ver um gigante dos palcos em cena.
 
Rubens Corrêa nos deixou alguns anos depois, em 1996, aos 64 anos de idade. Aquela noite de agosto de 92 fora, então, como um primeiro encontro com o artista e também uma despedida. Na minha memória, porém, o monólogo sobre um menino que crescera em Aquidauana no período anterior a Segunda Grande Guerra ficou para sempre, como uma "história de admirar"...
 
 
Giovani José da Silva

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