Já sei que o Campus de Aquidauana pertencente à UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - já tem outro nome (CPAQ) nos dias de hoje, mas quando estudei na cidade, no início dos anos 1990, era assim que se chamava: CEUA ou Centro Universitário de Aquidauana. Sei também que muita coisa mudou além do nome, pois praticamente todos os professores que ministraram aulas para a minha turma (1991-1994), dentre eles Carlos Frederico Corrêa da Costa, Marisa Bittar, Amarílio Ferreira Júnior, Arnaldo Begossi, Vilma Begossi, Mario Baldo, Francisco Romualdo de Paula (in memoriam), Paulo Corrêa de Oliveira e Osvaldo Zorzato, dentre outros, já não se encontram mais atuando na instituição.
Alguns, como Gilson Rodolfo Martins, que anos mais tarde se tornaria meu orientador de mestrado na atual UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados, continuam professores da UFMS. O que desejo contar brevemente essa semana é como o olhar de um "pau rodado" ou "forasteiro", ainda muito jovem e pela primeira vez morando longe de casa, enxergava/ enxerga aquela instituição, onde fez o curso de licenciatura em História, ao lado de colegas como Marcelo, Francisco Givanildo, Rosana, Ana Maria, Edmundo, Eraldemar (in memoriam), Edilamar, Hélia e muitos outros cujos nomes me fogem à lembrança.
Cheguei à Aquidauana no início de 1991 e fui morar na Cohab Ovídio Costa, na casa de tios e primos. O CEUA, então, não tinha o prédio no bairro Santa Terezinha (Campus II), apenas as instalações localizadas em frente à Praça Nossa Senhora da Conceição, para onde eu me dirigia todos os dias a pé e de chinelos. Foi ali, entre as salas de aula, o auditório Dóris Mendes Trindade (onde pude apresentar peças de teatro e trabalhos acadêmicos) e a biblioteca que, aos poucos, fui me fazendo aprendiz de professor de História. Lembro-me que uma vez fora da casa de meus tios, que não tinham mais condições de me manter junto a eles, fui morar em um alojamento nos fundos do CEUA, com outros colegas em igual situação precária.
Os tempos eram outros, a vida acadêmica não estava concentrada em títulos (poucos eram os nossos professores que possuíam mestrado e/ ou doutorado) e/ ou na produção de artigos e papers: havia um mundo a ser descoberto e aos poucos fui me aproximando das áreas que me tornariam o profissional que sou hoje: a História Oral, a História Indígena e o Ensino de História. Quando me perguntavam por que eu saíra de São Paulo para me "enfiar no mato", longe de São Paulo e de grandes universidades - como a USP, a Unesp ou a Unicamp - eu simplesmente respondia que estava à procura de novos caminhos a serem trilhados.
Passados vinte anos desde que me formei no CEUA posso dizer a vocês, leitores de O Pantaneiro, que encontrei muitos caminhos e neles procurei construir "histórias de admirar". Devo isso, em grande parte, à formação que recebi e aos mestres (no verdadeiro sentido da palavra e não apenas os de título acadêmico) que ensinaram a mim e aos meus colegas. Há mais de quarenta anos, o antigo CEUA vem formando gerações e gerações de profissionais da Educação e isso deve merecer, por parte de Aquidauana e região, respeito e consideração. Palavras de um "pau rodado", que em 2001 foi escolhido o melhor professor da escola pública do Brasil! Formado no CEUA...
Giovani José da Silva