Peço desculpas aos leitores pela ausência nas últimas semanas, mas estava de férias e organizando uma reunião em família, que ocorreu no dia 07 de setembro (domingo), em Guarulhos, na grande São Paulo. Do lado materno sou descendente de paraguaios e argentinos e tenho um enorme orgulho de minhas raízes indígenas e hispânicas. Juntos na festa, estávamos mais de 100 pessoas, todos direta ou indiretamente ligados ao casal Eusebio Torres (argentino de Corrientes) e Evangelista Florentin (paraguaia, descendente de indígenas, nascida na região de Concepción), que tiveram 14 filhos e ainda criaram a minha mãe, Gregoria, como filha, quando na verdade ela era neta deles.
Eusebio e Evangelista (ou dona Vangé, como era conhecida) foram os pais de Martina, Julia, Facunda, Antonia, Geronima, Eusebio, Cristina, Faustina, Calixta (apelidada de Lula), Carlos, Irene, Celestina (chamada carinhosamente por Chêla), Justina e Celso. Na festa paraguaia estiveram reunidos os descendentes de Julia, Facunda, Antonia, Lula e Carlos, além de minha mãe. O salão alugado para o "evento" foi decorado com bandeiras do Paraguai e do Brasil, além de um enorme cartaz desejando as boas vindas aos convidados, em língua Guarani ("EYU PORÃ").
Naquele dia celebramos a memória de nossos ancestrais já falecidos (além do casal, os filhos Martina, Julia, Antonia, Lula, Carlos, Irene e Celso) ou desaparecidos (caso de meu tio-avô Eusebio, visto pela última vez em 1972) e a chegada dos novos descendentes da família Torres e Florentin. É certo que com tantas mulheres na família os sobrenomes se misturaram a muitos outros, tais como Romero, Pistilli, Carvalho, Monfort, mas o fato é que cada um de nós tem nas veias o sangue paraguaio e argentino de nossos avós/ bisavós.
A festa teve música ao vivo, com direito a harpa paraguaia, teclados e violão e músicas animadas como "Lucerito Alba" e outras. Comemos sopa paraguaia (que muitos pensam ser líquida!), churrasco com muita mandioca e batatinha cozida, tudo regado a um bom clericô (uma espécie de ponche feito com vinho e frutas e, no nosso caso, com suco de uva). Em uma das paredes do salão, coloquei a árvore genealógica dos Torres e Florentin, para que todos, adultos e crianças, tivessem uma ideia clara de que formamos uma "grande família" em vários sentidos...
E por que estou contando a vocês tudo isso essa semana? Pelo simples fato de ao ter morado em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul (Aquidauana, Bodoquena, Campo Grande, Dourados, Nova Andradina e Porto Murtinho) percebi que há ainda um enorme preconceito de muitas pessoas contra os paraguaios (muitas vezes identificados como contrabandistas ou traficantes). Isso sem contar na vergonha que eu percebia em muitos dos meus alunos, na Educação Básica e no Ensino Superior, escondendo seus sobrenomes de origem hispânica, por temerem as piadas ("mais falso que uísque paraguaio", por exemplo), os estereótipos ou os preconceitos associados aos "nuestros hermanos". Em honra aos meus bisavós/ avós eu digo, em Guarani, uma das línguas oficiais do país vizinho, com sentimento de honra: CHE ROHAIHU PARAGUAY! (Eu amo o Paraguai!)
Giovani José da Silva