Fui surpreendido por um e-mail, há exato um mês, elogiando os textos publicados nesta coluna. A mensagem se referia ao fato de a pessoa gostar de ler os meus artigos publicados em O Pantaneiro em "Histórias de Admirar" e o que o remetente não poderia imaginar é que eu estava preparando um artigo justamente a respeito dele: Carlos Frederico Corrêa da Costa, ou Professor Corrêa da Costa, como o chamávamos, quando ministrou aulas para mim e meus colegas da turma de História no antigo CEUA, entre 1991 e 1994.
Profissional correto e rigoroso, foi com o Professor Corrêa da Costa que eu aprendi História Oral e Introdução à Metodologia Científica, dentre outras disciplinas do curso. Além disso, foi ele quem me ofereceu a primeira oportunidade de trabalho, ainda no CEUA, por meio de uma bolsa universitária e também foi meu orientador no programa Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), entre 1993 e 1994.
Na época, o professor (hoje aposentado da UFMS) cursava o doutorado em História, na Universidade de São Paulo, sob a orientação de José Carlos Sebe Bom Meihy. A tese versava sobre as memórias de militares brasileiros e lembro-me de fazer inúmeras transcrições para ajudar o Professor Corrêa da Costa a elaborar seu trabalho. Não raras vezes, saí (literalmente) correndo do CEUA para dar umas voltas (e uns gritos) pela Praça Nossa Senhora da Conceição, a fim de combater o estresse produzido pelas transcrições de fitas-cassete em que estavam gravadas as entrevistas. Afinal, eu ouvia repetidas vezes as fitas e transcrevia os conteúdos das mesmas ipsis litteris, datilografando em uma antiga máquina de escrever, cedida por Vilma e Arnaldo Begossi (lembro-me perfeitamente daquela máquina de tampa de cor verde, ainda hoje!). Era muito cansativo fazer tal atividade, pois não havia computadores à disposição na época, mas eu tinha clareza da importância de tais narrativas para a tese que estava sendo escrita pelo Professor Corrêa da Costa.
Homem de origem nordestina, com passagem pelo Exército brasileiro, foi ele quem me ensinou muito do que sei hoje sobre as relações entre história e memória, além de conselhos valiosos sobre a formatação de textos acadêmico-científicos. Ao Professor Corrêa da Costa, também colunista de O Pantaneiro, dedico o texto dessa semana, agradecendo-lhe por ter apostado naquele rapaz alto, magro e desengonçado, que chegou à Aquidauana para estudar História e aprendeu muito mais, graças a profissionais como ele!
Se for verdade aquilo que fala Carl Jung, de que "?Nós não somos os criadores de nossas ideias, mas apenas seus porta-vozes; são elas que nos dão forma... e cada um de nós carrega a tocha que no fim do caminho outro levará", afirmo com orgulho que hoje, professor universitário, carrego a tocha da integridade e da responsabilidade transmitida a mim pelo Professor Corrêa da Costa. Obrigado, mestre!
Giovani José da Silva