Depois de duas semanas de "férias" desta coluna, retomo a escrita dos textos ou das "histórias de admirar" saudando a passagem do tempo! Sim, o tempo, pois este ano tenho muito que comemorar: há 25 anos tomei a decisão de sair de São Paulo, capital, e fazer história/ História, em uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul. Naquele ano de 1990, eu estava na última série do Ensino Médio, então chamado de "Segundo Grau", definindo qual seria a carreira a ser escolhida para, além de ganhar o pão de cada dia, tornar-me uma pessoa realizada profissionalmente.
Artes Cênicas? Poderia ser uma boa escolha, se não fosse a insegurança e a necessidade de fazer algo que pudesse realmente me sustentar (imaginava-me, então, fantasiado de Mickey ou outra personagem infantil, animando festinhas ou em algum semáforo fazendo estripulias...). Ciências Sociais? Opa, essa parecia ser a decisão acertada, pois eu queria ser antropólogo e "trabalhar com índios". Entretanto... Entretanto, eu não conhecia nenhum antropólogo e nem fazia ideia de como essas pessoas ganhavam a vida. Para piorar a situação, a UFMS não possuía cursos de Ciências Sociais, nem em Aquidauana ou em outro campus.
Bom, o jeito foi escolher dentre as (poucas) opções que o então CEUA/ UFMS oferecia (Letras, História, Ciências Biológicas e Geografia), aquela que parecia ser a mais adequada às minhas aspirações. Verifiquei que haveria aulas de Antropologia Cultural no primeiro ano do curso de História e foi para este que fiz as provas do vestibular (o último da UFMS realizado somente com questões de múltipla escolha, além da redação), confiante de que um professor pode ser útil em qualquer lugar e que, uma vez formado, não passaria necessidades maiores.
Sempre gostei do ambiente escolar, que para mim era como um território de passagem para me libertar da vida difícil que eu e minha família sempre tivemos desde a morte do meu pai, quando ainda era uma criança. A História sempre me interessou, desde aqueles tempos de meninice, pelo poder (e pelo peso) que eu acredito/ acreditava que o passado tem sobre cada um de nós. Os índios vieram com o tempo e de forma definitiva em minha vida. Se eu fiz as escolhas certas? Não tenho certeza disso, como penso que nenhum de nós nunca terá certeza sobre nada do que tenha escolhido. A essa altura, o leitor mais atento estará se perguntando se o "vento" do título é apenas uma alusão ou brincadeira à famosa obra de Érico Veríssimo (O tempo e o vento). É que enquanto escrevo o primeiro texto do ano, sinto a brisa boa chegando do rio Amazonas e me lembrando de que foram as minhas escolhas na juventude que me tornaram o profissional que sou hoje e me trouxeram para o extremo Norte do Brasil, em 2013, depois de duas décadas morando em Mato Grosso do Sul!
Um trecho de "Oração ao tempo", de Caetano Veloso, me vem à cabeça: "Compositor de destinos/ Tambor de todos os ritmos/ Tempo, tempo, tempo, tempo/ Entro num acordo contigo/ Tempo, tempo, tempo, tempo...".
Giovani José da Silva