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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Aquidauana

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      Esta semana me dei conta de que ao longo do primeiro ano como colunista de O Pantaneiro, não havia dedicado algum texto ou "história de admirar" à cidade que me abrigou durante os quatro anos de licenciatura em História no antigo CEUA, da UFMS: Aquidauana! Lembro-me que quando decidi morar nesta cidade, muitos me consideraram "louco", outros ainda achavam que minha permanência em Mato Grosso do Sul não daria certo, pois afinal eu estava deixando São Paulo, capital, para morar no interior do Brasil, em "terra de índios" (ou "bugres", como ainda são chamados de forma pejorativa por muitos).
 
Enfim, quando decidi que era para Aquidauana que eu iria, com pouco mais de 18 anos de idade, não imaginava viver uma experiência tão radical de descobertas e aprendizados. Já ouvi muitas explicações sobre as origens do nome da cidade/ do município, das mais estapafúrdias (de que "uana" é o nome de uma febre... Daí "Aquidauana" seria uma forma de dizer "Aqui dá febre"!) até outras de mau gosto, fazendo piada com os sons das sílabas. Há aqueles, ainda, que dizem que a palavra seria de origem indígena e teria a ver com "terra das araras" (vermelhas, azuis, ...).
 
Depois de anos de convivência com os Kadiwéu, arrisco-me a tentar colocar um ponto final nessa história e afirmo ser "Aquidauana" uma corruptela da expressão, em língua Kadiwéu, "akid awanigi" (lê-se, aproximadamente, "áquidauâniguí") que significa "rio delgado ou estreito". Explico: os Kadiwéu, ou melhor, seus ancestrais os antigos Guaikuru, dominaram uma vasta região do antigo sul de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, que compreendia os atuais municípios de Bodoquena, Bonito, Corumbá, Jardim, Miranda, Porto Murtinho (onde se localizam hoje em dia), dentre outros. Seus domínios se estendiam até a margem direita do rio Aquidauana, sendo que do outro lado do rio habitavam os Ofayé, que no presente se concentram em Brasilândia, leste do Estado. Enfim, muitos anos depois de viver em Aquidauana não me imaginava estar entre os índios que, no passado, batizaram o local, assim como deram nomes (os chamados topônimos) a outras localidades do Estado, tais como Nioaque.
 
Na cidade, lá na Cohab Ovídio Costa, morei, durante certo tempo, em casas que tinham quintais que eram visitados por diferentes aves, em uma época em que se podia avistá-las em abundância. Entre mangueiras carregadas de frutas e um calor intenso, vivi em outros pontos da cidade que aprendi a amar e respeitar. Afinal, em Aquidauana me tornei professor de História, ministrei aulas em casas e em escolas, vivi dissabores e alegrias, fiz amigos para uma vida toda e ainda tive o privilégio de conhecer pessoas incríveis, em minha trajetória de quatro anos (1991-1995) morando no "Portal do Pantanal". À cidade que me acolheu, um sincero agradecimento: obrigado, "Princesa do Sul", terra de índios, no passado e no presente, e não índios!
 
 
Giovani José da Silva

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