Iniciei, no último dia 09 de março, um projeto em uma rede social na Internet, ao qual dei o nome de "Marcas do que se foi" e que trata da postagem de uma fotografia antiga por dia, com a identificação de pessoas, lugares e datas. A resposta imediata foi incrível por parte de amigos e parentes que passaram não apenas a compartilhar as imagens, mas também a me auxiliar na correta identificação das mesmas, corrigindo-me, inclusive, quando necessário.
A fotografia sempre me fascinou e ultimamente tenho entrado em contato com parentes e amigos, na esperança de recuperar imagens do passado deles. Ao tratá-las, conservá-las e, na medida do possível, colocar à disposição de um maior número de pessoas, a fim de que tais imagens não se percam, imagino estar de alguma forma colaborando para a construção de histórias locais. Isso porque creio que a maioria das pessoas guarda, em alguma caixa ou lata, num canto das suas casas, antigas fotografias, muitas delas em preto e branco e sem uma identificação correta, o que torna difícil para as gerações mais jovens (acostumadas à fotografia digital e "virtual") conhecerem seus antepassados, além dos antigos amigos e conhecidos das famílias.
Por meio do projeto, espero mostrar aos interessados que os Torres - cuja matriarca, a paraguaia Evangelista (dona "Vangé"), viveu parte da vida em Porto Murtinho, MS - hoje se transformaram num enorme aglomerado de pessoas que têm em comum o fato de serem descendentes diretos de Eusébio Torres e Evangelista Florentín. Meus bisavós, que eu trato como avós, deixaram uma numerosa família, cujos descendentes se espalham por diferentes municípios de Mato Grosso do Sul (Porto Murtinho, Aquidauana, Jardim, Campo Grande, Rio Brilhante), em outros Estados da Federação (Bahia, Amazonas, Amapá, Paraná, São Paulo) e, até mesmo, de outros países, como Austrália, Argentina e Paraguai.
As imagens me ajudam a entender melhor quem fomos e o que somos e espero que meus primos e outros parentes saibam conservá-las e transmiti-las aos mais novos, ensinando-lhes nossas origens. Interessante também foi tornar possível a reflexão de que aqueles a quem conhecemos hoje e que estão com mais de 50, 60 ou 70 anos de idade um dia já foram crianças, jovens e também tiveram seus sonhos, delírios, deslizes, alegrias e tristezas, como quaisquer outras pessoas, assim como nós. O nome do projeto foi inspirado na letra da conhecida música tocada pela banda Os incríveis: "Este ano quero paz/ No meu coração/ Quem quiser ter um amigo/ Que me dê a mão/ O tempo passa e com ele/ Caminhamos todos juntos/ Sem parar/ Nossos passos pelo chão/ Vão ficar/ Marcas do que se foi/ Sonhos que vamos ter/ Como todo dia nasce/ Novo em cada amanhecer."
A fotografia é o registro de um momento, um instantâneo que já houve e jamais se repetirá. Entretanto, o olhar sobre a foto remete a sensações, cheiros, sabores e impressões retidas na memória. É, para mim, a presença do ausente!
P.S.: Deixo aqui registrado um agradecimento especial a minha tia-avó, Justina Torres, moradora da Cohab Ovídio Costa, em Aquidauana, que me cedeu inúmeras ótimas fotografias para o projeto. A ela eu dedico a fotografia que acompanha essa matéria, tirada nos anos 1960, quando jovem e ao lado de sua "inseparável" boneca Marisa.
Giovani José da Silva