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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Ausências

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      Sempre me perguntaram, quando criança, como eu fazia para lidar com a morte precoce de meu pai, João José da Silva, em 25 de março de 1976. Lembro-me de chorar muito sempre que mencionavam seu nome e responder às pessoas o quão difícil era viver sem a presença física dele ao meu lado. O tempo passou e depois de 39 anos ouso dizer aos meus leitores que a dor da ausência de alguém a quem amamos não diminui e nem é aliviada pela distância em relação à partida, pelo contrário, somente aumenta!
 
Esta semana volto a falar de morte não por um desejo mórbido de incomodá-los, mas ainda sob o impacto da tragédia ocorrida com o avião da companhia aérea Germanwings, nos Alpes franceses. Todos os dias milhares (milhões?) de pessoas desaparecem de diferentes maneiras, em todos os cantos do planeta. Não nos incomodamos tanto com mortes alheias, mas de alguma forma somos tocados por notícias como esta, em que 150 pessoas somem de uma vez só, deixando um rastro de dor e comoção.
 
O meu pai era muito jovem, faleceu aos 32 anos de idade, prestes a completar 33, em decorrência de diabetes adquirida após um acidente de trânsito que afetou o funcionamento do pâncreas. Eu era muito pequeno, mas me lembro do sofrimento que a doença lhe impunha, obrigando-o a tomar insulina diariamente e a seguir uma rigorosa dieta alimentar (que ele sempre tentava burlar). Na esperança de se curar, ele foi a inúmeros templos, igrejas, terreiros, tendo minha mãe, que sempre foi muito católica, acompanhando-o numa peregrinação sem fim. Meu pai era um homem alto, magro e gostava de jogar futebol. Se estivesse vivo, faria 72 anos no próximo dia 29 de março, embora seu registro de nascimento aponte a data de 02 de abril (erro muito comum no passado, quando os pais dos bebês demoravam tempo até providenciarem o documento).
 
Não sei como teria sido a minha vida se ele não tivesse desaparecido naquele 25 de março, mas hoje penso que ninguém morre definitivamente. Afinal, não acredito que eu e minhas irmãs - Giani e Rita - tenhamos apenas uma herança genética do nosso pai: somos uma parte dele, a que vive dentro de nós, resultantes do amor que um dia uniu aquele homem simples do interior de São Paulo (de Sertãozinho) com a mulher de traços indígenas e criada na fronteira do Brasil com o Paraguai, nossa mãe Gregoria. Minhas irmãs tiveram seus filhos e estes também carregam as marcas, físicas e espirituais, de João José da Silva. Meu sobrinho João Pedro, filho de Giani, um dia me disse saber porque eu falava tanto de meu pai para ele e para outras pessoas; "- É porque as pessoas só morrem de verdade quando nós esquecemos delas, não é, tio?".
 
Sábias palavras, João; seu avô João estaria orgulhoso de você, tenho certeza! A benção, meu pai.
 
 
Giovani José da Silva

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