Aproveitando que acompanhei nesta semana minha mãe a uma visita à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, interior do Estado de São Paulo, fui até a cidade de Lorena, também localizada no Vale do Paraíba, onde vivi entre 1980 e 1984. Foram anos incríveis, em que fui aluno de duas escolas diferentes: Climério Galvão César e Gabriel Prestes. Nesta última, estudei parcialmente a 2.ª série, além da 3.ª, 4.ª e 5.ª séries do antigo Primeiro Grau. Minha mãe alugara uma casa próximo à escola, na rua São Benedito, e foi ali que eu e minhas irmãs vivemos parte da nossa infância.
Decidi visitar a antiga escola e, para minha surpresa, pude entrar e revisitar lugares que me foram muito especiais. Engraçado como depois que crescemos, as coisas a nossa volta parecem muito menores do que na época em que éramos pequenos. Os corrimões das escadas, em pedra, estão lá, ainda, assim como o local onde hasteávamos, uma vez por semana, as bandeiras, no pátio da escola. Muitas portas e janelas continuam as mesmas em um estabelecimento que este ano completa 120 anos de existência (foi fundado em 1895).
Contudo, muita coisa mudou: meus professores se aposentaram, alguns se transferiram para outras escolas e há aqueles que, infelizmente, não vivem mais entre nós. Dentro do prédio, tomado pela emoção, chorei discretamente ao relembrar o menino que fui um dia, encantado pelas descobertas proporcionadas por dona Nilza (2.ª série), dona Odila (3.ª série, sobre quem já escrevi para esta coluna) e dona Célia (4.ª série) em suas aulas. Como não recordar do professor Márcio, de Geografia (5.ª série), desenhando mapas com giz no quadro, sem a necessidade de nenhuma régua, apenas com sua habilidade? As aulas de Brasilina (Língua Portuguesa), Beverly (Matemática), Eleni (Educação Artística) e Vera (História), além de outras, nos desafiavam a querer aprender, a gostar de saber, a conhecer e compreender coisas em um mundo onde ainda não existiam para nós, crianças, computadores pessoais, telefones celulares ou Internet.
Do lado de fora do "Gabriel", as árvores de pau-brasil, consideradas patrimônio da cidade de Lorena, estão lá, imponentes, parecendo esperar a visita de um ex-aluno como eu. À sombra daquele arvoredo brinquei de "bulitas" (bolas de gude) com meus amigos Carlos Victor e Osvaldo; conversei sobre "coisas de criança" com Carlos Renato e Anton; "bolei" peças de teatro com Bethânia e Ana Paula; passei acelerado em direção a minha casa, fugindo do bullying praticado por Valéria e Sonaly. Foram tantas as lembranças que me vieram à mente nesta curta visita, que decidi escrever esta semana sobre a antiga E.E.P.G. (Escola Estadual de Primeiro Grau) "Gabriel Prestes".
Memórias olfativas (o cheiro da merenda), táteis (a aspereza do corrimão de pedrinhas), gustativas (as balas e doces da cantina) irromperam em mim e, por alguns instantes voltei a ter 09, 10, 11, 12 anos de idade. Não foi à toa que ao estar no pátio da escola, trinta anos depois da última vez em que lá estive, ecoou em meus ouvidos o hino do município de Lorena, tal como naqueles dias em que o temido e severo "Seo" Braga, nosso diretor na época, inspecionava as filas antes da entrada para as aulas: "Oh! Terra das palmeiras imperiais/ Velho berço de condes e barões/ Ninguém de ti se esquecerá jamais/ Ao reviver as tuas tradições!"
Giovani José da Silva