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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: A Base Nacional Comum Curricular

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      Um telefonema recebido em uma manhã de maio último me fez adentrar em um terreno no qual acreditei que minhas experiências como professor da Educação Básica por quinze anos (1991-2006) poderiam me ajudar a percorrer. Do outro lado da linha, a voz calma da Profª. Hilda Micarello, da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora)/ MG, me explicava que eu havia sido indicado por membro do GT (Grupo de Trabalho) de Ensino de História e Educação da Anpuh (Associação Nacional de História), para participar da comissão de especialistas que o Ministério da Educação estava montando para a elaboração de um documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular.
 
Naquele momento, não pensei em outra coisa, a não ser na honra de poder fazer parte de um movimento que está pensando e propondo o que todo estudante da Educação Básica do Brasil deve aprender nas escolas do país. A comissão é composta por 116 especialistas dos diferentes componentes curriculares (Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Arte, Educação Física, Matemática, Geografia, História, Filosofia, Sociologia, Ensino Religioso, Ciências Naturais, Física, Biologia e Química) e está subdividida em áreas do conhecimento humano (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza).
 
Faço parte do grupo do componente curricular História, que possui representantes dos seguintes Estados da Federação: Alagoas, Amapá (2), Goiás, Maranhão, Minas Gerais (2), Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte (2), Roraima e São Paulo, além do Distrito Federal. Há professores da Educação Básica e do Ensino Superior, gestores e representantes da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e do Consed (Conselho Nacional de Secertários de Educação). Nosso desafio tem sido o de colocar no papel ideias que podem se transformar, nas salas de aula, em efetiva aprendizagem de História, rompendo com visões tradicionais do ensino desse componente curricular.
 
A polifonia ou multiplicidade de vozes é a principal marca dos trabalhos da comissão de especialistas. Não apenas a presença de sotaques de diferentes regiões do Brasil, mas ideias, conceitos e noções, procedimentos, conteúdos e atitudes diversos são debatidos com paixão e razão, a fim de que no próximo dia 16 de setembro, o documento seja colocado à disposição de consulta pública, que será realizada por meio de um portal eletrônico (http://basenacionalcomum.mec.gov.br/). "E aquele garoto que ia mudar mundo", ao invés de frequentar as festas do grand monde, como na letra da música de Cazuza e Roberto Frejat, tem frequentado reuniões em Brasília e Belo Horizonte, a fim de colaborar com a construção da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
 
Nada mal para quem saiu de Aquidauana aos 22 anos de idade, formado em História pelo antigo CEUA/ UFMS e sonhava conquistar um lugar ao sol ministrando aulas para crianças e jovens na Educação Básica. Espero fazer jus ao convite feito a mim e que o documento a ser homologado pelo Conselho Nacional de Educação, até junho de 2016, ajude de fato a melhorar a qualidade da Educação oferecida em todos os quadrantes do nosso imenso país.
 
 
Giovani José da Silva

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