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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: recomeçar

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      Andei sumido por uns tempos, vivi na Espanha por quase três meses (de janeiro a março) e deixei de escrever para o jornal O Pantaneiro, pensando em não mais voltar a fazê-lo. Ainda tenho dificuldades em entender certos acontecimentos, rupturas que não esperava que ocorressem algum dia, mas que, certamente, têm os seus motivos e propósitos. O tempo fora do Brasil, vivendo outras culturas, falando e escutando distintas línguas, respirando novos ares, me ajudou a tentar equilibrar-me um pouco e cá estou, novamente!
 
Recomeçar nem sempre é fácil, mas pode ser um exercício interessante e instigante de autodescoberta e, mais do que isso, um momento propício para se refletir sobre os valores que norteiam nossas vidas. Penso ter conseguido trilhar os caminhos da compaixão, do perdão e, sobretudo, da gratidão. Sinto-me agradecido por ter escolhido Aquidauana em determinada época da minha vida para realizar a tão sonhada formação universitária naqueles anos de juventude. Sou grato pelas pessoas que encontrei, que estenderam a mão para aquele menino franzino que eu era e que pouco ou nada sabia da vida e de seus mistérios e encantos.
 
Passados 25 anos desde que cheguei ao "Portal do Pantanal" olho para trás e vejo uma bonita e, às vezes, tortuosa trajetória. Tantos lugares por onde passei, desde que colei grau naquela manhã ensolarada de 12 de janeiro de 1995: São Paulo, capital; Porto Murtinho; Cuiabá; Bodoquena; Campo dos Índios (localizado em Murtinho); Dourados; Goiânia; Campo Grande; Três Lagoas; Nova Andradina. Trabalhei na Educação Básica, ministrei aulas para índios e não índios, fui premiado, conheci o lado bom (e o ruim, também) de ser reconhecido, fiz novela (quem diria!), atuei como antropólogo e professor de História. Atualmente vivo no Norte do país, tendo vindo morar na capital do Amapá, Macapá, em 2013.
 
No Estado que me acolheu já tive a oportunidade de conhecer diferentes municípios, alguns com nomes estranhos aos meus ouvidos (Tartarugalzinho, Calçoene, Ferreira Gomes, Santana, Porto Grande, Amapá e Oiapoque). Lá no extremo Norte do nosso país, ministrei aulas para índios no Ensino Superior, experiência que levarei para sempre em minhas mais bonitas lembranças das "Terras do Cabo Norte" e em meu coração. Recomeçar significa, também, rememorar, perceber o caminho percorrido até o presente para seguir em frente. Na bagagem carrego algumas tristezas, feridas ainda não cicatrizadas, alegrias e esperanças (muitas esperanças).
 
Sinto que apesar da licenciatura, da especialização, do mestrado, do doutorado e do pós-doutorado realizados, o menino franzino ainda vive dentro de mim, desejando apenas que aqueles a quem ama fiquem bem, apesar da distância, dos mal-entendidos, das decepções e do silêncio. A vida é feita de sonhos e de areia, a areia do tempo que escoa lentamente entre os dedos, lembrando que cada momento é precioso demais e deve ser vivido com intensidade, sob pena de nos esquecermos quem somos, quem fomos, quem queremos ser. Oxalá eu nunca me esqueça! 
 
 
Giovani José da Silva

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