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Giovani José da Silva

Histórias de Admirar: Esperança

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      Como ensinar alguém a ter/ ser bom caráter? Há 25 anos sou professor (comecei esta trajetória na Escola Estadual Cândido Mariano, em Aquidauana, em 1991) e ainda me debato com tal questão toda vez que me vejo diante de alunos ou colegas professores que insistem em exercer o mau-caratismo. Podem optar, é claro, por fazer o correto, mas escolhem justamente caminhos contrários: os da calúnia, da difamação, da injúria e da mentira! Preferem perder ou prejudicar um colega, mas não perdem a piada, a fofoca e nem a oportunidade de espezinhar o Outro, seja comentando sobre a (suposta) vida sexual ou as características físicas e/ou emocionais desta ou daquela pessoa.
 
Transformam o ambiente (escolar e extraescolar), que poderia ser saudável e acolhedor, em um pântano de maledicências e falatórios. Como professor, sei bem o que é enfrentar alunos e colegas de trabalho que não encontrando outra maneira de lidar com nossas exigências/ competências, tentam nos desqualificar, buscando encontrar "defeitos" em nós... Coitados! Perdem preciosos minutos/ horas/ dias de suas vidas mesquinhas controlando ou tentando controlar a vida daqueles que consideram "desviados" do bom caminho! Parentes também, muitas vezes, são "peritos" nisso: julgam e criticam o que ocorre na casa do Outro, sem enxergar a enorme quantidade de sujeira escondida debaixo do próprio tapete. Às vezes me sinto impotente diante de um quadro que parece ser cada vez mais sombrio e nebuloso, dentro e fora das escolas/ universidades. Outras tantas, me encho de coragem e enfrento as situações com altivez e hombridade.
 
Não, caros leitores, não está fácil para ninguém, muito menos para aqueles que decidem cuidar da própria vida e tentam ajudar aos que estão a sua volta e lhes são queridos. Eu sempre imaginei que poderia ensinar mais do que História aos meus alunos, seja na Educação Básica ou no Ensino Superior. Contudo, passados todos esses anos de magistério, um quarto de século para ser mais exato, confesso que já não tenho mais tanta certeza de que seja capaz de fazê-lo ou que tenha forças para lutar contra "os ventos do Norte [que] não movem moinhos". Como cantam Caetano Veloso e Gal Costa em "A luz de Tieta", "toda noite é a mesma noite/ a vida é tão estreita/ nada de novo ao luar/ todo mundo quer saber com quem você se deita/ nada pode prosperar/ é domingo, é fevereiro,é sete de setembro,futebol e carnaval/ nada muda, é tudo escuroaté onde eu me lembro/ uma dor que é sempre igual".
 
A dor provocada pela piada sexista, racista, misógina, machista ou pelo comentário maldoso e infundado pode quebrar uma pessoa por dentro e para sempre! E uma vez quebrada, em muitos pedaços, a confiança naqueles a quem tento educar e a quem caberá a tarefa de educar a outros nos princípios da correção, da ética e da honestidade, resta em mim a esperança de dias mais ensolarados e menos cinzentos, de encontrar pessoas menos vazias e mais plenas, de encontrar-me nos tortuosos caminhos da vida! "Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos/ Meu sangue latino, minha alma cativa".
 
 
Giovani José da Silva

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