Giovani José da Silva
Publicado em 14/07/2016 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Na última semana de junho completei 44 anos de idade e senti vontade e necessidade de realizar um "balanço" da vida vivida até o momento. Mortes na família? Sobrevivi a várias, desde aquela que arrancou meu pai de nós, em 25 de março de 1976, até as mais recentes, de tia Petrona e de tio Paulino, ambos moradores de Porto Murtinho e, na verdade, meus tios-avôs, embora eu nunca os tenha chamado assim. É, a infância não foi das mais fáceis, "convidados" que fomos, eu, minhas irmãs e mãe, a deixarmos nossa casa, nosso carro, em um bairro de classe média em São Paulo, capital, para nos espremermos no porão da casa de outra tia-avó, a tia Lula (muitíssimo obrigado, tia!), na periferia da grande cidade. Avós? Duas, embora eu considere como minha avó materna, aquela quem criou a minha mãe, que era minha bisavó, dona Evangelista. Gracias, abuela. Não a conheci, pois faleceu pouco mais de um mês antes do meu nascimento. De qualquer maneira, do jeito que minha mãe fala dela, me parece que tenha sido especial... Avôs? Um só, pois o pai de minha mãe sequer lhe deu seu nome na certidão de nascimento. Lugares onde morei? Pela ordem? São Paulo (capital), Porto Murtinho (MS, então MT), Guarulhos (SP), Lorena (SP), São Paulo (SP), Guarulhos, Campo Grande (MS), Aquidauana (MS), São Paulo, Porto Murtinho, São Paulo, Cuiabá (MT), Bodoquena (MS), Dourados (MS), Campo Grande, Goiânia (GO), Três Lagoas (MS), Nova Andradina (MS), Dourados, Macapá (AP). Ufa! Não sei explicar por que tantos lugares, mas sei dizer o quanto fui feliz/ triste em cada um deles! Amigos? Poucos, mas sempre fiéis e leais, embora eu sempre pense que eu deveria ser mais fiel e leal a eles do que tenho sido ultimamente. Entre festas, casamentos e batizados, incontáveis foram as vezes em que me encontrei com primos e primas, tios e tias, além de encontros em outros eventos, tais como velórios e enterros. Do que mais gostei da vida até aqui? De ter podido conviver com gente do quilate e da magnitude dos anciãos Kadiwéu, Terena, Kinikinau, Atikum, Bororo, Ofayé e Guató com quem pude conhecer um pouco mais e melhor a vida! Se tivesse que escolher uma única pessoa para continuar viva ao meu lado: minha mãe, sem dúvida! Dona Gregoria já aguentou todos os meus perrengues, sabe fazer uma deliciosa comida como ninguém mais faz e, além de tudo, sempre que tive meus dissabores, profissionais e de amores, foi ela quem me ofereceu seu generoso colo. Algum complexo de Édipo nisso tudo? Creio que não, mas é sempre bom ficarmos atentos aos sinais. Por falar neles... Esquerda ou direita? Cada vez mais difícil definir-me politicamente por uma coisa ou outra, em um mundo que, como diria certo filósofo, parece ser/ estar cada vez mais "líquido". Sem querer casar e nem comprar uma bicicleta, ter chegado aos 44 anos de idade com saúde e (creio) serenidade, para mim, já é uma grande vitória. Aquele menino que um dia eu fui, que viu o próprio pai, jovem e muito doente, deixá-lo, que sentiu muita raiva por isso, que já o perdoou, inclusive, ainda vive dentro de mim. "Se lembra quando a gente, chegou um dia a acreditar. Que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba?". Onde quer que você/ eu esteja, é sempre bom lembrar que tudo deve ser absorvido como se o dia fosse o último a ser vivido, sem concessões, sem pressas, porém sem atrasos. Nunca se sabe quando uma amizade que parecia inquebrantável irá se desfazer ou quando será a última vez que viu alguém que se ama partir, de uma forma ou de outra, sem a possibilidade de dizer "Adeus" ou "Eu te amo". A propósito: Amor, eu te amo!
Giovani José da Silva
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