Giovani José da Silva
Publicado em 03/08/2016 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Nos últimos dias fui instado a dizer a verdade sobre meu comportamento relacionado a alguns fatos, eventos e pessoas. A pergunta que me fiz, a partir de uma situação de extremo sofrimento após ser abandonado à própria sorte em meus infortúnios, e que faço aos caros leitores é: o que é, afinal, a verdade? Sim, a verdade, sem aspas, sem reticências, sem meias-verdades, apenas a verdade, o que é? É absoluta? Existe apenas uma ou se trata de pontos de vista ora convergentes, ora divergentes? E quando o seu interlocutor não acredita em você, agarrando-se à "verdade" dele, àquilo que acredita que seja a "verdade"? O que fazer? Tenho aprendido, a duras penas, que não basta ser honesto: devemos parecer honestos. E nesta "parecência" o que era para ser espontâneo, natural e sair com leveza de nossos corações em direção à boca, para ser proferido aos quatro ventos, fica truncado, atropelado pela obsessiva necessidade de se saber tudo o que teria ocorrido, como se fosse possível uma reconstituição total dos fatos tal como ocorreram. "É mentira"! Como saber que alguém está mentindo se quem o acusa não estava presente, não viu (visão), não ouviu (audição) e nem cheirou (olfato), muito menos sentiu o gosto (paladar) ou a textura (tato)? Não é fácil viver nos tempos de hoje: ao menor sinal de insatisfação, amigos/ parentes/ amantes/ namorados/ casais rompem histórias que, se não são perfeitas, poderiam se estender por um bocado de tempo, aperfeiçoando-se com a maturidade, a cumplicidade e o afeto. "Você está mentindo, eu vejo isso nos seus olhos"! Será mesmo? Por que não tentamos ouvir/ sentir com o coração, ao invés de racionalizarmos tudo e todos, analisando gestos, falas, silêncios, etc.? "Tenho indícios e sinais suficientes que me levam a crer que você esteja mentindo". Sério? E quantas e quantas vezes indícios e sinais mais do que suficientes não levaram para a prisão ou para o corredor da morte (em países em que há a pena capital) inocentes que não tiveram uma segunda chance para se defender e cujas vidas foram desgraçadamente arruinadas ou aniquiladas? Sei que hoje estou perguntador demais, mas quero saber: você fala a verdade todo o tempo? Mente? Omite? Conta meias-verdades? Eu já fiz tudo isso e ainda faço, mas nunca com o objetivo de magoar alguém, de prejudicar a outrem ou mesmo de me safar das (enormes) besteiras que faço na vida. Penso que depois dos 40 anos ficou mais difícil, ainda, inventar histórias mirabolantes para justificar as vezes em que boto os (dois) pés na jaca! A verdade é que ultimamente venho negligenciando meus amigos e zelando pouco pelo meu amor, mas daí a se imaginar que por causa disso eu tenha cometido algo grave como uma traição, por exemplo, é fazer conjecturas e suposições sobre os tais "indícios e sinais suficientes". O que quero dizer é que não há mais bela verdade do que aquela vivida internamente, a que sabemos e que vem do coração! De que adianta espalhá-la a ouvidos que só querem escutar dor e sofrimento, de almas que estão feridas e precisando de consolo e alento? Sem me fazer de vítima, sem posar de "perfeitinho", a verdade, nua e crua, é que estou cansado e triste de repetir à exaustão, como um mantra, que não fiz tal coisa ou que deixei de fazer outra. Amigo, acredite em mim: a verdade, nada mais que a verdade, depende menos de quem a conta e mais de quem a escuta!
Giovani José da Silva
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