Giovani José da Silva
Publicado em 12/08/2016 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
"Se lembra quando a gente/ chegou um dia a acreditar/ Que tudo era pra sempre/ sem saber/ que o pra sempre/ sempre acaba...". Os versos da canção de Renato Russo na música "Por enquanto" (eternizada na voz da saudosa Cássia Eller) têm sido como um mantra para mim nos últimos dias. Não é fácil manter relacionamentos... Sei disso por experiência própria e por já ter abandonado e ter sido abandonado em canoas que pareciam tão promissoras e que mostraram, com o tempo, serem furadas. A questão é (ou deveria ser): por que/ para que as pessoas se juntam? E depois que se juntam: como administrar o cotidiano, o tédio, as pequenas raivas (sim, porque raiva grande não é para ser administrada e, sim, tratada!) e as desavenças que surgem naturalmente quando dois seres humanos com educações distintas resolvem dividir o mesmo espaço-tempo? Não tenho fórmulas mágicas, nem tampouco sou expert no assunto, mas uma coisa aprendi com a vida e com os velhos indígenas com quem convivi: quando um não quer, dois não brigam! E nem se amam... O amor não faz exigências, não cobra faturas, também não guarda rancores. O amor liberta as pessoas. Fácil escrever, não é? O difícil é lidar com as dores do Outro, quando temos as nossas próprias para cuidar; é fazer de conta que não percebemos um defeito aqui ou outro ali, apenas para não aborrecer quem escolhemos para dividir cama, mesa e banho; é calar-se, diante de palavras ditas no calor de uma discussão, simplesmente porque saíram da boca, sem passar pelo filtro do coração. Aprendemos desde pequenos que encontraríamos príncipes/ princesas e que bastaria a paixão para que tivéssemos nosso merecido "felizes para sempre". Às vezes, contudo, algo não dá certo nisso tudo e nos sentimos culpados e frustrados. Erramos? Muitas vezes sim, ainda que não admitamos e que tentemos esconder a "sujeira" debaixo de algum tapete. Acertamos? Opa, com certeza, e é bom não nos esquecermos disso se um dia o que era para ser "para sempre" acabar, pois as boas memórias/ lembranças podem nos ajudar a levantar a cabeça e ver mais beleza no caminho que temos a seguir adiante. Sim, caros leitores, a vida segue. Às vezes por caminhos tortuosos, incompreensíveis à primeira vista, mas sempre adiante, como um rio que segue o seu curso. Quando somos deixados ou deixamos alguém pelo caminho, muitas vezes passamos a viver no "passado", recordando emoções negativas/ positivas; alguns preferem viver "no futuro", criando expectativas e pensando como será bom viver o próximo amor. Sugiro que vivamos apenas "no presente", cuidando das feridas e aguardando a cicatrização. O tempo não cura nada, lamento em informar, muitas vezes apenas ameniza a saudade e as dores, o que já é muita coisa. "Mas nada vai conseguir mudar/ o que ficou/ Quando eu penso em alguém/ só penso em você/ E aí, então, estamos bem". Eu espero ficar bem, em breve, e espero que você, leitor, que lê as minhas histórias de admirar, fique bem também. Lembre-se apenas que nada, absolutamente nada, é para sempre!
Giovani José da Silva
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