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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: VAZIO

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Vazio. Assim me senti vendo a mudança ser arrumada na última semana, a fim de ser transportada de Macapá, Amapá, para Campo Grande, Mato Grosso do Sul (acalmem-se, leitores: por enquanto morarei em Guarulhos, São Paulo, junto de minha mãe, dona Gregoria!). Fim de algumas histórias, começo de outras tantas... Um relacionamento amoroso/ afetivo de quase seis anos chegou ao fim sem ao menos eu entender direito o porquê. Outros relacionamentos, de amizade e de vínculo filial, haviam terminado, também, ao longo deste ano e a pergunta que me faço/ me fiz foi: seria eu tão horrível assim? Pensava que sim (até meu terapeuta me ajudar a entender que não sou), porque é interessante verificar como cada um de nós, seres humanos imperfeitos, enxergamos os que estão a nossa volta, muitas vezes com um olhar superior, sem fazermos autocrítica e apenas apontando o dedo em riste na direção do Outro, o imperfeito por excelência! Todos nós temos um "vazio existencial" e lidamos com ele de diferentes maneiras. Alguns se dedicam a trabalhar compulsivamente, outros se entregam a relações sexuais em que nunca se satisfazem, outros, ainda, mergulham com força no mundo virtual, talvez para esquecer das dores do mundo real! Como lido com meus "vazios"? Tenho pensado - e mais do que isso, sentido - como trato das dores e das delícias de ser quem eu sou, de quem me tornei, educado por minha mãe, por meus professores e por pessoas que passaram por minha vida ao longo dos últimos 44 anos e alguns meses de existência. Não, caros leitores, não é fácil ser Giovani. Como não deve ser fácil ser Jaime, Anna Maria, Vilma, Norma, Marinelma, Giani, ou seja lá que nome você tenha. Poderíamos, no entanto, pararmos - nem que fosse por um instante - de pensarmos tanto e sentirmos mais o movimento da vida, que é tão frágil, tão curta e que pode nos escapar em uma fração de segundo. Já reparou o que faz ou deixa de fazer para lidar com o "vazio existencial" que existe dentro de você? Eu, por exemplo, já me utilizei da comida (muita comida!) para espantar a tristeza, já fantasiei encontrar no ato sexual (a dois ou sozinho) a satisfação de prazeres não vivenciados, já, inclusive, procurei me tornar o melhor em tudo o que fazia profissionalmente a fim de preencher o tal "vazio". Nada dessas coisas me fazem/ fizeram bem. E o que fazer, então? Primeiramente, e sem querer dar manual de receitas ou me tornar um guru de autoajuda, descobri que preciso amar o Giovani, aquele garoto que sentiu tão cedo o que é uma casa vazia, pois sua família foi expulsa do local onde morava depois que o pai morrera. Amando-o, sei que valorizarei ainda mais as pessoas que o cuidaram, que o alimentaram (não apenas de boa comida, mas de boas emoções) e sinto que não pensarei e sentirei mais tanto as dores de não ser cuidado por meus avós, maternos e paternos, nem o "vazio" que se instalou naquele menino que eu fui um dia e que ainda vive dentro de mim, pedindo que eu cuide bem dele/ que alguém especial o cuide. O apartamento vazio em um condomínio de Macapá, numa sexta-feira quente, me fez enxergar que histórias se constroem e reconstroem a todo momento, em tantos lugares diferentes, e que não são os móveis ou as quinquilharias que insistimos em carregar vida afora que preenchem uma casa e as vidas que a habitam. Uma casa, ou melhor, um lar, é preenchido por pensamentos, por palavras, por ações e, principalmente, por sentimentos que nos tornam aquilo que melhor somos: seres humanos imperfeitos. Você, caro leitor, está satisfeito com o jeito de lidar com o "vazio existencial"?  Eu não estou/ não estava e por isso resolvi mudar: de casa, de ares, de companhia, deixando para trás o que não me fazia bem. Só não mudo o meu jeito de buscar, da melhor maneira possível, lidar com o "vazio existencial". Vida plena!

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