X
Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: SOLIDÃO (2.ª VERSÃO)

Compartilhe:

A-

A+

Tive tanto medo dela que me envolvi com pessoas que me machucaram, que me fizeram me sentir uma péssima pessoa, enfim, que me roubaram tempo e energia (e, algumas, dinheiro!). Quando elas me deixaram (ou eu as deixei, não importa), a vontade primeira foi a de culpá-las por tudo o que havia sido triste, incerto... Por que fizeram aquilo comigo? A pergunta, na verdade, deveria/ poderia ser outra: Por que permiti que gente assim se aproximasse de mim, compartilhasse de cama, mesa e banho comigo? Por que me abri, me descortinei, se não havia, de fato, amor? A resposta não é simples, mas algumas pistas me ajudam a compreender os mecanismos que me levaram a desejar/ querer a companhia de alguém que não me merecia: a orfandade, a carência, o medo de envelhecer sozinho. Vejo colegas/ amigos de minha geração, a maioria tem alguém ou pelo menos pensa ter alguém (o que já é alguma coisa) e me pergunto: ficarei sozinho? Para piorar um pouco as coisas, ultimamente amigos, que eu pensava serem para toda uma vida, tornaram-se ex-amigos... E eu ainda achando que o problema são os outros! Olho-me no espelho, penso em quanta gente passou pela minha vida, de como o meu jeito muitas vezes assustou os que estavam a minha volta: sempre tão observador, tão crítico, tão... O que foi mesmo que andei fazendo nos últimos 25, 30 anos? Ah sim, preocupado demais com a sobrevivência (minha e de minha família nuclear) eu estudei, estudei, estudei e estudei tanto, aprendendo sobre História, Antropologia, a respeito dos índios, que penso ter desaprendido a me relacionar com as pessoas. Falo demais, falo de menos, sou ríspido, critico, vejo/ olho tudo em “caixinhas” prontas, diria minha irmã mais velha. Como fazer? Como (re)aprender? Tenho tentado, eu juro. Tentando me aproximar, ainda que seja virtualmente, das pessoas e descobrindo porque aquele menino tão tímido se tornou um adulto arredio ao contato, à prosa sem compromisso, ao convívio social. Guardo comigo a sensação de ser/ estar inadequado em diversos ambientes e/ ou na companhia de muitas pessoas. Fazer terapia, tomar florais de Bach, exercer autocrítica, tudo isso tem sido muito importante. Escrever sobre o assunto também! Gostaria de poder apresentar toda semana minhas aventuras entre índios ou as peripécias vividas em outras terras, com outras gentes. Nem sempre é possível, caros leitores. Há dias em que me pergunto a razão de ainda estar por aqui, tentando reconciliar-me comigo mesmo e tocar em frente. Por quê? Por quem? Lembro-me de que ainda há alguém precisando de cuidados, de afagos, de carinho. Um menino, o que ficou sem pai, sem casa, sem chão naquele, agora longínquo, março de 1976. “Deixa de ser besta, menino!”, “Isso foi há tanto tempo, como pode se lembrar?”, diria uma tia-avó, com toda a sinceridade que lhe é peculiar. A vida, depois daquela partida, foi ficando tão partida, tão dura, tanta coisa foi acontecendo e cada um foi se arrumando como podia: a mãe com seus santos e orações, minhas irmãs tentando, cada uma a seu modo, encontrar um rumo, alguém para dividir os sonhos. E eu, bem, eu estou “tentando, vivendo e pedindo, com loucura para você renascer, pai”. Tantas responsabilidades, uma carteira de trabalho assinada aos 13 anos de idade, uma infância envelhecida pela força das circunstâncias, os sonhos de fazer Artes Cênicas e de ser artista, adiados indefinidamente. E ainda me perguntam: por que você é assim? Por que não pode ser menos crítico com você mesmo ou com os outros? “Ah, por isso você é tão sozinho, ninguém te suporta”, me falaria rispidamente uma amiga (?) em meio a uma discussão. Pode ser. A solidão ainda me apavora, mas tenho aprendido, a duras penas, que antes viver sozinho do que (muito) mal acompanhado, seja por quem for. Ademais, estou tentando, vivendo e pedindo para que o menino que viveu/ morreu dentro de mim renasça, prometendo a ele cuidar melhor de nós. Que assim seja!

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Eleições 2026

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo