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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: REVIRAVOLTAS

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Fiquei mais de mês sem escrever para a coluna, quebrando a (torta) promessa de manter a regularidade semanal na publicação dos textos da coluna Histórias de admirar, que tenho por aqui desde o final de 2013. Os motivos? Foram vários, dentre eles um curso sobre História indígena que estou ministrando para a Diretoria de Ensino – Guarulhos Sul para professores e gestores da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o fato de que viajei a Mato Grosso do Sul no início do mês de junho para o lançamento do livro Kinikinau: arte, história, memória & resistência (Editora CRV, 2017). Organizado por mim, pela antropóloga Aila Villela Bolzan e pelo professor indígena Rosaldo de Albuquerque Souza, o livro contém oito capítulos, escritos por especialistas de diferentes áreas (Antropologia, História, Letras/ Linguística, Geografia, Desenvolvimento Sustentável, Sociologia). Apoiado pela Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania de Mato Grosso do Sul, o lançamento ocorreu no auditório do Museu da Imagem e do Som e contou com a participação de alguns autores e de indígenas Kinikinau, outrora considerados “extintos”, além de um público bastante interessado na história dos Koinukunôen (autodenominação do grupo). Dias antes do lançamento do livro estive em Bodoquena, conversando com os Kadiwéu sobre um possível retorno aos trabalhos da Escola Ejiwajegi, não mais como professor, mas como alguém disposto a ajudá-los a reerguer a Educação na aldeia. Também estive em Nioaque, entre indígenas Atikum, e saí de lá com as esperanças renovadas e o coração aquecido, apesar do frio! Ainda que hoje viva no Amapá (e esteja afastado da Unifap para cursar estágio de pós-doutorado no Rio de Janeiro, na UFF), sinto que Mato Grosso do Sul e suas gentes e paisagens nunca me deixaram e eu jamais os abandonei. Talvez não saiba por quais caminhos se dará o meu retorno para o Estado, mas é certo que, atendendo a apelos de indígenas e também de meu coração pantaneiro/ paraguaio, regressarei para “casa”. Já não sou mais aquele rapaz magricela que morava de favor na casa de tios, no alojamento do antigo CEUA ou na pensão de dona Quitéria, que só se alimentava uma vez por dia, graças à generosidade de um casal de professores (só Deus sabe o quanto sou grato e oro por eles todos os dias, pois os amo incondicionalmente) e nem mais o ingênuo professor que, em início de carreira, acreditava que haveria espaço na universidade brasileira para a criatividade, a sensibilidade e a crítica, sem resvalar para o ataque gratuito e o desrespeito. Enfim, a vida me colocou no centro de diversos “olhos do furacão” e, agora, olhando em perspectiva, vejo o quanto sou um homem abençoado, afortunado pelo que me fiz e pelo que me fizeram de bem. Amigos se achegaram ao longo do tempo, outros se despediram de minha convivência, seja porque foram morar na terra dos sonhos, seja porque não quiseram mais a minha companhia. Amores (?) também compareceram neste cenário, ora colorindo-o, ora nublando-o, trazendo lágrimas de emoção e de solidão, dependendo das circunstâncias. Quem diria que o único filho homem de “seo” João José da Silva e de “dona” Gregoria Ramona Torres Silva, descendentes de uma miríade de povos, culturas e línguas diferentes, fosse se tornar o “professor Giovani”, aquele que desperta alegria/ vontade de aprender em uns, sentimentos não tão nobres em outros, que provoca com perguntas e com uma trajetória que o levou a distintos lugares do Brasil e do planeta, usando a palavra (escrita ou falada) como “arma” de luta em defesa das populações indígenas e do ensino de suas histórias/ da História. Novos voos serão alçados, novas reviravoltas ocorrerão, o tempo cíclico aprendido com os Kadiwéu será renovado, pois não há inverno que dure para sempre e não há ano em que a primavera deixe de irromper com suas flores e cores. Quem diria que o Amor bateria mais uma vez à porta e que eu, entre hesitação e euforia, o deixaria entrar! Quem diria... 

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