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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: REENCONTROS

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            Mais um ano se inicia, planos são (re)feitos, mas as marcas dos reencontros ocorridos entre os últimos dias de 2017 e os primeiros de 2018 ficarão por muito tempo em minha memória afetiva. Onde estive? Por onde andei? Fui a Lorena, município do Vale do Paraíba paulista, mas não apenas visitei a cidade que abrigou parte de minha infância (1980-1985), pois também estive em Aparecida, Guaratinguetá, Cachoeira Paulista... O que fui fazer por lá? Além de orar, bendizer, meditar, fui em busca de paz e serenidade, a fim de encerrar um ano difícil para todos nós e iniciar outro, que, esperamos, seja mais alvissareiro. Caros leitores, não imaginam a alegria e a honra de reencontrar uma amiga de infância, Maria Bethânia, e passar uma agradável tarde em que sol e chuva se alternaram. Lembranças diversas, desde os colegas que eu adoraria/ detestaria rever até o temível “seo” Braga, diretor da E.E.P.G. “Gabriel Prestes” e que eu (sempre) associava à figura do Professor Aristarco, o autoritário diretor de O Ateneu, de Raul Pompeia. Nossas peças de teatro escolar, os amigos em comum (Ana Tereza, Ana Claudia, Ana Paula Padilha, Helenice, Marcelo – Pezão, Marilene, Walmir e tantos outros), as brincadeiras e os trabalhos em grupo que realizávamos na varanda da casa onde morei com minha família, na Rua São Benedito, 334 (a fachada continua a mesma, com seus tijolos revestidos de azul, depois de mais de 30 anos. Como é possível?). Bethânia me contou o que andou fazendo nesses anos todos e eu lhe revelei as voltas que fiz até chegar ao Amapá e conhecer a Amazônia e suas gentes, depois de viver muitos anos no Pantanal, entre indígenas e não indígenas. Foi realmente um reencontro de duas almas que viveram a infância em uma pacata cidade do interior e que a vida tratou de levar por distintos caminhos, até que se reencontrassem em um primeiro dia de Ano Novo. Nossas professoras e nossos professores não foram esquecidos durante a conversa: Odila (Nunes de Arruda Botelho, in memoriam), Célia, Brasilina, Márcio, Beverly (in memoriam), Vera, Berenice, Laércio e muitos outros que povoaram nossos dias escolares no prédio centenário de outrora. Tantos anos passados e mantínhamos em nossas lembranças as dores e as delícias de sermos o que fomos/ somos. O tempo, ali, parou e retrocedeu, nos levando ao início dos anos 1980, com suas venturas e agruras. Após a visita à amiga, fiquei com vontade de saber por onde andaria outro “cúmplice” daqueles tempos: Carlos Victor! Estudamos apenas metade da segunda série do Primeiro Grau (nomenclatura da época para o atual terceiro ano do Ensino Fundamental), na classe de “dona” Nilda de Almeida Maciel (in memoriam), tempo suficiente para que nos tornássemos os melhores parceiros no jogo de bolinhas de gude (“na nada; tu tudo!”). Vasculhei o Facebook e não é que o encontrei? O reconhecimento foi feito por meio de uma fotografia postada na rede social, de um menino de aproximadamente 12 ou 13 anos e que era a cara de Carlos Victor, quando criança. Tomei coragem e perguntei a ele se era o meu amigo que eu tanto procurara. E não é que era ele mesmo? Que alegria em ser reconhecido e lembrado, depois de tanto tempo... Hoje, Carlos Victor mora em Ubatuba, litoral paulista, e quando tiver a oportunidade eu irei revê-lo e conhecerei a sua nova família! Reencontros são mágicos, um bálsamo para a alma, despertam em nós os melhores sentimentos/ pensamentos, remetendo-nos a um tempo em que tudo parecia muito maior fisicamente do que realmente era, em que a perspectiva infantil nos fazia tão inocentes (alguns nem tanto...). O mais bonito de reencontrar/ reencontrar-se é saber/ sentir que deixamos marcas em alguém, que o que fomos ainda faz parte do que somos e do que seremos. Por um instante eu estive diante de meu passado, quase tocando-o com minhas mãos e me senti, novamente, aquele menino que frequentava o Nosso Cinema, na praça Arnolfo de Azevedo, muitas vezes solitariamente, e que desejava tanto ganhar uma enciclopédia de presente no dia do aniversário. Reencontros: que venham outros tantos, muitos mais...

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