Giovani José da Silva
Publicado em 14/01/2018 às 03:36
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Como escrevi na semana passada, o final de 2017 e o início de 2018 foram marcados por incríveis e, para mim, emocionantes reencontros. Por outro lado, o fato de ter encontrado alguns bons amigos da “velha infância”, pessoal (Maria Bethânia) ou virtualmente (Carlos Victor), não importa, me provocou algumas reflexões que passo a compartilhar com os leitores da coluna Histórias de admirar nessa semana. Posso afirmar, com certo pesar, que nem sempre houve boa receptividade por parte de colegas/ amigos reencontrados ao longo do tempo. Foi estranho para mim, por exemplo, depois de um “trabalhão” que tive para localizar aquele que fora o meu melhor amigo de infância, entre 1982 e 1985, no interior de São Paulo, perceber uma frieza e uma distância que não foram sequer disfarçadas. Não, caros leitores, o presente texto não é um “acerto de contas” ou uma “lavação de roupa suja”... Acalmem-se! Meu objetivo principal é refletir/ sentir sobre o tempo que passa para todos nós e, com ele, passam ou se vão também algumas pessoas/ coisas. “Eu ia até a casa dos avós de meu amigo, para brincar ou fazer tarefas escolares, pois ninguém mais queria interagir com o menino ‘rico’, de pais separados e ausentes!”. Então, Giovani, vocês cresceram e o tal menino “rico” não se importa mais contigo, pois provavelmente tais lembranças não são relevantes no tempo presente. Eu, que queria tanto saber o que houve com os sonhos infantis de ser astronauta de meu colega de escola, que queria conhecer sua nova família, perguntar de seus avós, provavelmente hoje moradores da terra dos sonhos, não pude sequer fazer alguma pergunta, desconcertado que fiquei. Não me dei conta, é verdade, que há coisas/ pessoas que uma vez perdidas não merecem (ou não podem/ não querem mais) ser achadas/ encontradas. Seus lugares são, de fato, no passado, seja na infância ou na juventude! Isso não significa diminuí-los ou borrá-los da memória: trata-se, simplesmente de manter o que está em determinado lugar... em seu devido lugar! Já tentei “tirar o pó” de certas memórias, “lustrá-las” e me vi falando sozinho (ou para as paredes), em situações constrangedoras e, perfeitamente, dispensáveis. Por que as pessoas agem dessa ou daquela maneira? Não tenho respostas prontas, mas desconfio que situações mal resolvidas ou traumas vivenciados em tempos pretéritos “mexem” demais com alguns, sobretudo os mais sensíveis! Eu adoraria que todos – eu escrevi todos – os meus colegas/ amigos que eu reencontrasse, como os que achei em Lorena e no Facebook no primeiro dia do ano, me recebessem com um afetuoso abraço e com um indisfarçável sorriso nos lábios. Que eu pudesse ver em seus olhos a cumplicidade de outrora, em que nos comunicávamos (quase que) telepaticamente. Crescemos, afinal! E ao nos tornarmos adultos muitos de nós ficamos (muito) “chatos” e “sem graça”. Que bom seria se esquecêssemos por algumas horas as contas a pagar, todas as responsabilidades que a vida nos impôs, e simplesmente nos entregássemos ao exercício de voltarmos no tempo e sermos crianças/ adolescentes/ jovens, sem “pílulas da felicidade”, dívidas ou carnês. Rir de si mesmo, recordar os “micos” (e alguns “orangotangos”), celebrar nossos “mortos” (mais vivos do que nunca em nossas mentes e corações). Ah, como tudo isso faz um bem danado! Abaixo a tristeza, a “deprê”, o ressentimento, o rancor e o ódio instalados há tanto tempo em muitos de nós, que nem sabemos mais porque deixamos de falar com alguém que já fez parte de nossas histórias/ trajetórias, as enriqueceram apenas pelo fato de existirem em nossas vidas. Desejo que em 2018, entre chegadas e partidas, em meio a perdidos e achados, todos nós, incluindo a mim, sejamos todos mais inteligentes emocionalmente, que não percamos mais tanto tempo com “picuinhas”, com “pequenezas” e sentimentos mesquinhos, que sejamos maiores e mais nobres conosco, com nossos velhos e novos amigos e com o que fomos/ somos/ queremos ser. Assim, não serão mais necessários disfarces, nem máscaras, nem desculpas para lidarmos com aquele “velho” amigo que nos procurou e que só queria saber, como na antiga canção (que, por acaso, tem a minha idade) de Antônio Marcos e Mário Marcos: Como vai você?
Giovani José da Silva
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